Fiscais de trabalho escravo retomam atividade nesta segunda

Auditores paralisaram suas atividades desde 22 de setembro, após senadores terem contestado ação no Pará

ISABEL SOBRAL, Agencia Estado

10 Outubro 2007 | 19h34

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou nesta quarta-feira, 10, que as equipes do Grupo Especial Móvel de Fiscalização do Trabalho Escravo, em greve há três semanas, retomarão suas atividades na próxima segunda-feira. Os auditores paralisaram suas atividades desde 22 de setembro, após senadores terem contestado uma ação do Grupo na fazenda Pangrisa, localizada no Pará. Lupi e o advogado geral da União, José Antônio Toffoli, assinaram hoje uma cooperação técnica que prevê o acompanhamento jurídico permanente pela Advocacia Geral da União (AGU) das ações desenvolvidas pelo Grupo Móvel. "Esse convênio garante à sociedade que a fiscalização terá o apoio permanente da AGU contra qualquer ação que venha a tentar intimidar a ação do Estado", afirmou o ministro. A polêmica que desencadeou a paralisação se originou de críticas de um grupo de senadores a uma operação de fiscalização que, segundo o Ministério, libertou 1.064 trabalhadores submetidos a condições análogas às de escravo, a maioria cortadores de cana-de-açúcar. Entre as irregularidades apontadas pelos fiscais havia contracheques zerados por conta das dívidas dos funcionários com a fazenda, jornada de trabalho excessiva, alimentos deteriorados, falta de água potável e alojamentos lotados. Os donos da empresa contestaram a fiscalização argumentando que todos recebiam salários e que não havia condição de escravos na fazenda. O Ministério Público Federal do Pará abriu investigação para averiguar a polêmica.

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