Fiscais apreendem material durante caminhada de Paes

Folhetos contra Gabeira eram da União da Juventude Socialista, ligada a partido que apóia o peemedebista

Luciana Nunes Leal, RIO, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2008 | 00h00

Um incidente entre militantes da União da Juventude Socialista (UJS) e fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) marcou a caminhada de apoio ao candidato do PMDB à Prefeitura do Rio, Eduardo Paes, realizada no fim da tarde de ontem, no centro. Os jovens distribuíram adesivos contra o concorrente do PV, Fernando Gabeira, mas acabaram flagrados pelos fiscais, que apreenderam o material de campanha.Os panfletos traziam fotos de Gabeira, dos tucanos Fernando Henrique Cardoso e José Serra e do prefeito Cesar Maia (DEM) e a inscrição: "O que é isso, companheiro? Gabeira não." O texto fazia referência ao livro escrito pelo deputado verde quando voltou do exílio, em 1979.Apesar de o material ter a assinatura da UJS, movimento ligado ao PC do B, aliado de Paes no segundo turno, os fiscais argumentaram que a lei exige a identificação do candidato e da coligação a que pertence.Inconformado com a campanha negativa, um eleitor de Gabeira, que se identificou como Mário Bezerra, provocou uma confusão, enquanto fiscais determinavam que os jovens tirassem os adesivos já colados em suas roupas e apreendiam os que seriam distribuídos. Os militantes pró-Paes reagiram: "Fiscais do Gabeira!"Como a confusão continuava, um grupo de policiais militares que organizava o trânsito se aproximou. Um dos policiais aconselhou Bezerra a deixar a manifestação: "Você vai ser linchado, sai fora daqui."A distribuição de material apócrifo contra Gabeira foi constante durante o segundo turno. O candidato do PV fez vários protestos contra o que chamou de "campanha suja", enquanto Paes dizia que eram ações independentes. O candidato do PMDB também se disse vítima de campanha negativa, principalmente com mensagens na internet.SÉTIMO DEBATEPela manhã, os candidatos participaram do sétimo debate do segundo turno, mas guardaram as acusações e as armadilhas para o confronto de hoje à noite, na TV Globo. Embora digam que em princípio vão manter o clima cordial e só atacarão se forem provocados, Paes e Gabeira concordam que o último debate pode ser decisivo, no momento em que as pesquisas mostram a disputa acirrada. Segundo o Ibope, ambos têm 43%; pelo Datafolha, Paes tem 44% e Gabeira, 41%, em empate técnico. No debate de ontem, no Jornal do Brasil, houve até brincadeiras entre os dois, por causa das dúvidas sobre réplicas e tréplicas. No momento mais sério, porém, Gabeira reclamou da "campanha suja" contra ele.Depois, em entrevista, o candidato do PV disse que Paes "vê o fantasma do prefeito Cesar Maia em toda parte". Gabeira tem apoio de Maia no segundo turno, enquanto Paes é ex- aliado, ex-subprefeito e ex-secretário de Meio Ambiente do prefeito. O peemedebista disse que manterá "humildade e pé no chão" até a eleição, apesar do crescimento nas pesquisas. Uma das preocupações de Gabeira no debate da Globo é contestar o argumento da importância de ter experiência administrativa, destacado pelo adversário. O candidato do PV lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Sérgio Cabral não tinham ocupado cargo no Executivo antes de serem eleitos. Citou até o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, que não tem experiência administrativa.No caso de o debate caminhar para acusações, Paes sabe que deverá ser cobrado pelas críticas feitas a Lula, quando era deputado do PSDB, e pelas inúmeras trocas de partido. Em resposta, vai apontar falta de consistência de Gabeira. "Vamos poder comparar que candidatos têm propostas e que candidatos não têm propostas. Minha candidatura não tem delírios, não tem divagações", comparou o peemedebista.

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