Fiocruz vai "exportar" modelo de produção para África

A Organização Mundial de Saúde (OMS) quer exportar o modelo brasileiro de produção de medicamentos para a África e, para isso, convidou a diretora de Farmanguinhos - o laboratório da Fundação Oswaldo Cruz que produz genéricos - a dirigir o time de especialistas que vai traçar estratégias contra as epidemias de aids, tuberculose e malária, doenças que afetam milhões nos países africanos.Eloan Pinheiro teve a primeira reunião com os outros especialistas na semana passada, em Genebra, sede da OMS. Ela, que dirige Farmanguinhos desde 1994, afirmou que o objetivo do órgão da ONU responsável pela saúde é criar diferentes projetos para a África.No caso de países onde já existe estrutura em condições de montagem de fábricas, a OMS quer dar subsídios para que comecem a produzir os seus próprios genéricos - a exemplo do Brasil. Já para os países sem qualquer tipo de estrutura interna o plano é organizar esquemas para exportar drogas já prontas, mas com preços baixíssimos.A África é o continente que mais sofre com a aids. Segundo estimativas da própria OMS, cerca de 30 milhões dos 40 milhões de soropositivos do mundo vivem em países africanos.Apesar de vários laboratórios internacionais já terem manifestado intenção de reduzir o preço dos anti-retrovirais - drogas contra o vírus HIV -, a maioria dos países da África não tem dinheiro para adquirir os remédios. A única solução é ajuda humanitária ou, como quer a OMS, a criação de formas de produção de baixo custo de genéricos desses remédios.A quebra de patentes de remédios para aids, malária e tuberculose em casos de grandes epidemias foi acordada entre os países que participaram da última reunião da Organização Mundial do Comércio, em novembro passado em Doha, no Catar. Para Eloan Pinheiro, a criação de fábricas de medicamentos nos países africanos já é uma tentativa de pôr em prática o acordo de Doha."O acordo está no papel. O que temos de fazer é implementá-lo." Eloan deve deixar a direção de Farmanguinhos ainda este ano. A pesquisadora acredita que o convite da OMS ocorreu por causa do sucesso da experiência brasileira com o programa de distribuição gratuita de drogas para aids e, mais recentemente, a produção de outros remédios.Segundo ela, o grande mérito de sua equipe em Farmanguinhos foi conseguir provar que o Brasil tem capacidade de reunir pessoal treinado e condições técnicas de fazer medicamentos com qualidade e baixo preço. "E tudo isso sem esquecer a função social dessa produção", explica.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.