Fiocruz testa novo inseticida contra dengue

Um novo inseticida, que mata a larva do Aedes aegypti e tem efeito por até 58 dias depois de aplicado, está sendo testado pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).Caso sua eficácia seja comprovada, o produto será uma alternativa ao biolarvicida utilizado atualmente pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no combate à dengue ? o Bacillus thuringiensis israelensis (BTI), que tem durabilidade inferior ?, conforme informou, nesta segunda-feira, Keyla Marzochi, diretora do Hospital Evandro Chagas, da Fiocruz.Grau de eficiência?Temos de saber até que ponto é eficiente um inseticida que mata 98% das larvas, mas perde o efeito em duas semanas?, disse Keyla. A informação foi contestada pelo diretor do Centro Nacional de Epidemiologia da Funasa, Jarbas Barbosa. ?O BTI funciona bem. Testes mostram que ele só perde o efeito depois de 60 dias, embora a eficácia vá diminuindo ao longo do tempo?, afirmou.Barbosa acrescentou que larvicidas são armas limitadas na guerra contra a dengue, uma vez que o Aedes tem grande capacidade de adaptação. ?Mas qualquer novidade nessa área é bem vinda.? O BTI é uma bactéria inócua ao ser humano, cuja toxina destrói as larvas do mosquito.Quanto ao novo inseticida, a diretora de Farmanguinhos, Eloan dos Santos Pinheiro, não quis adiantar detalhes sobre a substância, porque ela ainda está em fase de testes. Dados sobre o produto só devem ser divulgados no mês que vem.Pratos de plantas, maiores focosOs agentes que atuam no Estado ? cujo número, segundo a Funasa, deve chegar a 17 mil, com as novas contratações e a ajuda do Exército e da Marinha ? recebem a recomendação de só aplicar o BTI quando o morador não puder desfazer-se do recipiente que acumula água, como caixas d?água e calhas.?A aplicação do larvicida é uma exceção no trabalho de campo. Mais importante é a mobilização popular, é ensinar as pessoas a não deixar criadouros do mosquito em casa?, disse Jarbas Barbosa. A diretora do hospital da Fiocruz estima que 40% dos criadouros do transmissor da dengue estejam em pratos de plantas, 15% em depósitos de água parada, como poços, 10% em caixas d?água, 0,5% em bromélias, e o restante, em recipientes abandonados, como pneus e garrafas.Keyla Marzochi acredita ainda que a epidemia atual pode crescer ainda mais, por ser a primeira em que o vírus do tipo 3 está circulando.CPIA Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) vai propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os responsáveis pela epidemia de dengue no Estado. Para o presidente da comissão, deputado Paulo Pinheiro (PT), o combate ao Aedes aegypti esbarra nas divergências entre os governos federal, estadual e municipal.

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