Fiocruz detecta substância tóxica no Celobar

Análise preliminar do Instituto de Controle de Qualidade em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) detectou a presença de grande quantidade de carbonato de bário em amostras do lote 3040068 do medicamento Celobar Suspensão, fabricado pelo Laboratório Enila. O carbonato é utilizado, entre outros fins, para produção de veneno de rato.Vinte e duas mortes associadas ao produto foram registradas: 15 em Goiás, três na Bahia, uma em Minas, uma em São Paulo e uma no Maranhão. A última, no Rio, foi divulgada nesta sexta-feira . ?O contraste (Celobar) funcionou como veneno?, afirmou o secretário estadual de Saúde, Gilson Cantarino.Os responsáveis pela empresa devem responder por falsificação de produtos destinado ao uso medicinal, com pena de 10 a 15 anos de prisão, além de homicídio. O laboratório importou 600 quilos de carbonato de bário, transformados em 595 quilos de sulfato de bário, princípio ativo do Celobar. Cantarino afirmou que desde o ano passado a empresa importou menos matéria-prima do que a necessária para a quantidade de medicamento produzido.Apenas quatro laboratórios no mundo, nenhum deles brasileiro, segundo ele, são capazes de fazer o processamento. Em ofício enviado pelo Enila à Secretaria de Saúde no dia 4, o representante legal do laboratório, Márcio D?Icarahy, admite a importação do carbonato e sua transformação em sulfato. Ele deve prestar depoimento à Delegacia de Crimes Contra a Saúde Pública na segunda-feira. O técnico responsável pela manipulação também será ouvido.Cantarino disse também que o remédio, usado como contraste para radiografias, foi liberado para venda pela empresa apesar de não ter sido aprovado por seu controle de qualidade. O secretário informou que, inicialmente, a suspeita era de que as mortes teriam ocorrido por contaminação de microorganismos, o que também foi constatado no Celobar, mas depois os técnicos chegaram à conclusão de que a causa foi envenenamento.

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