Fiocruz abre centro de pesquisa na Amazônia

O município de Lábrea, na divisa do Amazonas com Rondônia, tem a maior concentração de vítimas da hanseníase do País. A aids deixou de se restringir a Manaus e avança nas regiões às margens do Rio Negro e Solimões. A capital do Amazonas registra ainda o segundo maior índice de tuberculosos do País, perdendo apenas para o Rio.Essas e outras doenças que afligem a Amazônia passam a ser foco de um centro de pesquisa especializado naquela região. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) inaugura nesta sexta-feira o Centro de Pesquisa Leônidas e Maria Deane, em Manaus, dedicado a estudar desde vírus e bactérias que causam essas doenças à forma como elas se disseminam entre a população.O diretor do centro, Luciano Toledo, explica que os trabalhos dividem-se em três programas. O de biodiversidade em saúde dedica-se ao ensino e pesquisa de agentes patogênicos - vírus e bactérias - e de insetos vetores.O programa de sociodiversidade em saúde é direcionado ao estudo das doenças. A terceira vertente é a de gestão administrativa, que se dedica à organização do centro. "Não somos uma universidade à antiga, dividida por departamentos", diz Toledo.O prédio que abrigará as pesquisas também é fruto dos estudos da Fiocruz. Os engenheiros de saneamento da fundação desenvolveram um sistema de captação de esgoto que separa os dejetos humanos daqueles produzidos em laboratórios. Os dois tipos de esgoto são separados no subsolo, tratados numa estação e a água é devolvida à natureza com 90% de pureza.O diretor do centro, Luciano Toledo, diz que basta a instalação de mais um filtro no sistema para que a água possa ser devolvida à caixa d´água totalmente limpa. Há quase 100 anos que a Fiocruz, de certa forma, faz pesquisas na Amazônia.O próprio Oswaldo Cruz passou por lá, na primeira década de 1900. Os cientistas Carlos Chagas e Evandro Chagas também desenvolveram trabalhos na região, mas foi somente na década passada que a fundação decidiu fixar-se naquela área. Em 1994, foi criado um Escritório Técnico da Amazônia.Os cursos e pesquisas funcionavam em salas emprestadas por instituições, como a Universidade do Amazonas e o Comando Militar. Somente agora todos os pesquisadores terão seus trabalhos centralizados.

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