'Finatec poderia ter rejeitado reforma', diz reitor da UnB à CPI

Timothy Mulholland teria usado dinheiro da fundação para comprar objetos caros para apartamento funcional

Agência Senado

04 de março de 2008 | 17h10

O reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, em depoimento à CPI das ONGs, falou sobre a origem dos recursos utilizados para a reforma do apartamento que ocupava, paga pela Finatec. Questionado pelos parlamentares sobre o porquê da escolha de objetos tão caros, como uma lixeira de quase R$ 1 mil, Mulholland foi evasivo: "O material foi especificado pela área técnica da universidade, e a Finatec tinha total liberdade para rejeitar ",  disse.  Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos  MP pede quebra de sigilo bancário de presidente da Finatec  As denúncias surgiram em meio ao escândalo da farra com os cartões corporativos, que resultou na saída de Matilde Ribeiro do ministério da Igualdade Racial.  Segundo ele, qualquer fundação, ao firmar parceria com a universidade, em obediência a uma resolução da própria instituição, deve criar um fundo de apoio institucional para o financiamento de programas e projetos, com a cobrança de uma taxa de 6% a 10% sobre projeto de consultoria e contratos de outros serviços fechados com terceiros. Os recursos deste fundo, por sua vez, têm aplicação ampla, podendo ser utilizados para qualquer tipo de investimento - inclusive a pesquisa científica - que interesse à universidade, após a aprovação do projeto pelo conselho gestor. Esses recursos, e não os especificamente destinados à pesquisa, foram utilizados pela Finatec no pagamento da reforma e decoração do apartamento e na compra do automóvel, que depois disso, foram doados à UnB. No seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs, no Senado Federal, o promotor de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal Ricardo Antônio de Souza pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal do presidente do Conselho Superior da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), Antônio Manoel Dias Henrique.   Souza questionou os critérios de administradores públicos ao escolher, sem licitação, a Finatec, ligada à Universidade de Brasília (UnB), para prestar serviços. "O mérito da investigação é descobrir quem prospectava a Finatec e quem ganhava com isso no final da linha", disse. "Sem dúvida, a quebra de sigilo é importantíssima para descobrir quem está sendo favorecido por esses contratos." O promotor questionou o porquê de prefeitos do nordeste, sul e norte do País recorrerem a uma Fundação de Brasília. "Será que não há lá Fundações competentes para tal?"    

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