Financiamento das centrais sindicais gera polêmica

Representantes das centrais sindicais e das confederações de empresários não chegaram a um consenso sobre alguns dos principais pontos da reforma trabalhista a ser tratada, de forma mais ampla, no Fórum Trabalhista Brasileiro a partir do mês que vem. O principal ponto de discordância está no sistema de financiamento das centrais e, por isso, deverá merecer atenção especial no próximo encontro a ser realizado em 12 de agosto na Confederação Nacional do Comércio (CNC), no Rio de Janeiro.Parte dos sindicalistas entendem que o atual sistema de contribuição sindical compulsório (também conhecido como imposto sindical) deve ser mantido, enquanto outros sugerem a adoção da contribuição voluntária. Outro ponto de desavença é o fim da chamada "unicidade sindical", em que cada categoria de trabalhador só pode ser representada por um único sindicato.A Central Única dos Trabalhadores (CUT) sempre defendeu o fim do imposto sindical e a liberdade de cada categoria escolher o sindicato de sua representação. Após o encontro, o presidente da CUT, Luiz Marinho, disse que a central já admite a manutenção da contribuição compulsória, contanto que o trabalhador possa indicar para qual sindicato quer contribuir."Precisamos mudar a estrutura atual urgentemente, porque vivemos o drama de, diariamente, nascer uma quantidade enorme de sindicatos de baixíssima representatividade", justificou."Avançamos nas negociações e vamos buscar um consenso. Se até a CUT admite a manutenção da contribuição compulsória, é sinal de que algo avançou", avaliou o presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), Antonio Carlos dos Reis, o Salim, defensor da unicidade e do imposto sindical.O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, entende como importante o fim do imposto sindical, mas com um prazo de transição para adaptação dos orçamentos dos sindicatos. Ele não foi muito otimista ao comentar a reunião de hoje. "Avançamos poucas coisas em relação ao encontro de 26 de junho e essa é uma discussão que vai longe, até o começo do ano que vem e, depois, no Congresso Nacional", comentou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.