Financial Times alerta Lula a não sair da rota

O jornal britânico Financial Times, em editorial publicado hoje, afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa defender mais enfaticamente a política econômica do governo. Segundo o diário, os primeiros quinze meses de mandato de Lula impressionam, com a restauração da estabilidade e a implementação da reforma na Previdência Social. Mas, observa o FT, a recuperação econômica do Brasil é mais lenta do que o esperado e o presidente está caminhando em meio a fortes ventos cruzados, com crescente críticas vindas de dentro e fora da aliança governamental. "Ele não pode permitir ser desviado da rota", alerta o editorial, intitulado "O desafio de Lula". O jornal observa que, "felizmente, a maré econômica parece estar virando". Embora o PIB tenha se contraído em 0,2% em 2003, números recentes indicam uma expansão que ficará entre 3% e 4% neste ano. Juros baixos nos Estados Unidos, preços das commodities elevados e forte demanda da China estão ajudando uma economia que depende parcialmente das exportações de produtos primários e atração de fluxos de capital. "Mas as frustrações estão crescendo por causa do declínio do ano passado, os teimosos elevados níveis de desemprego e a recente queda da renda real. O FT afirma que os investidores privados estão decepcionados com a maneira que o governo remodelou os regimes regulatórios para o setor energético e outras áreas. "Eles têm ficado descontentes com o ritmo lento da redução da taxa de juros", afirma o jornal, que observa, no entanto, que a redução de 0,25% na Selic na semana passada renovou as esperanças de que o ciclo de relaxamento monetário interrompido em janeiro possa ser retomando. Mas, taxas de juros reais acima de 10% são "ainda elevadas e punitivas". Segundo o FT, o "escândalo de corrupção" envolvendo um assessor do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, tem sido uma "distração que é não bem-vinda, criando algo parecido com um vácuo no coração do governo". O presidente tem se visto sob "fogo amigo tanto de seu Partido dos Trabalhadores e de aliados da coalização de centro esquerda, como dos críticos exigindo um pausa nas políticas monetária e fiscal conservadoras."Lula tem de ser mais enfático na defesa da política econômica"O Financial Times observa que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, têm sido os principais alvos dos ataques. "O presidente começou a reagir em defesa de ambos", disse. "Mas ele precisa ser mais enfático na sua defesa das políticas econômicas do governo." O jornal observa que isso não será fácil diante dos interesses diversos dos aliados que compõem a coalizão governamental. "Entretanto, o capital político de Lula ainda está intacto." O FT afirma que Lula já "provou contar com a capacidade de negociar e popularidade suficiente no País para apelar diretamente ao público e acima da cabeça de seus aliados". Mas se os ataques contra os ministros do governo ficarem sem resposta "isso criará a impressão de que Lula é ambivalente em seu apoio à ortodoxia, deprimindo ainda mais a confiança do investidor". Segundo o diário financeiro, acima de tudo, é "essencial manter a estabilidade conquistada para que haja qualquer esperança de implementar reformas de longo prazo que possam estimular a produtividade e levar a um crescimento mais rápido e sustentável".

Agencia Estado,

24 de março de 2004 | 13h27

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