Fim de sigilo revela esquema de cobrança de propina em Sorocaba

Secretários e funcionários recebiam propina para dar autorização a postos de combustível e lojas

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2012 | 18h22

SOROCABA - A revogação do segredo de Justiça sobre o processo resultante da Operação Pandora, realizada em 2009 pelo Ministério Público Estadual em conjunto com a Polícia Civil, revelou como funcionava um esquema de corrupção na prefeitura de Sorocaba, a 92 km de São Paulo. Secretários municipais e funcionários recebiam propina para autorizar a instalação de postos de combustível e lojas de hipermercados. Na última segunda-feira, o juiz Jayme Walmer de Freitas, da 1ª Vara Criminal, entendeu que o sigilo já não se justificava.

 

As apurações revelam que o então secretário José Baptista Ferrari teria recebido R$ 89,1 mil para facilitar a instalação de um posto de combustível no hipermercado Extra, no Jardim Santa Rosália, e uma nova unidade do hipermercado no bairro Campolim. O engenheiro da prefeitura Jefferson Tadeu Polanzan Aily teria recebido R$ 30 mil e o então secretário de Governo, Maurício Biazotto Corte, R$ 25 mil. A negociação teria sido intermediada, segundo o processo, pela então presidente do Sindicato dos Postos (Sincopetro), Ivanilde Vieira Serebrenic, que na época presidia o Partido Social Cristão (PSC).

 

O secretário Biazotto teria ainda adquirido bens móveis e feito o pagamento com o cartão de Ivanilde. Em outubro de 2009, os quatro acusados chegaram a ser presos temporariamente por suspeita de participação no esquema. A denúncia envolveu ainda dois funcionários do Grupo Pão de Açúcar, acusados de pagar os servidores públicos para obter facilidades, e um advogado do Sincopetro. No processo, os dois ex-secretários e o engenheiro são acusados dos crimes de formação de quadrilha e corrupção passiva, enquanto Ivanilde e sua então secretária, Valéria Biazotto Corte, atual mulher de Biazotto, respondem pela acusação de formação de quadrilha e corrupção ativa.

 

Os funcionários do Pão de Açúcar, Humberto Amaral Monteiro e Dalton Benedito Peres Júnior, respondem por formação de quadrilha, corrupção ativa e furto qualificado, já que teriam desviado R$ 50 mil da empresa e se apossado do valor. O advogado do Sincopetro, Alexandre de Menezes, foi acusado de extorquir o dono de um posto supostamente irregular.

 

O processo tem mais de 4 mil páginas. Os acusados já foram ouvidos pela Justiça e negam as acusações. O advogado de Ferrari, Paulo Escanhoela, disse que o fim do sigilo servirá para mostrar que não há qualquer fato que comprove a denúncia contra seu cliente no processo. "A prova documental mostra que ele não praticou ato algum ilegal." Biazotto e sua mulher disseram esperar que a justiça traga à tona a verdade. Ivanilde classificou as acusações como injustas e disse esperar que os fatos sejam esclarecidos. Os advogados dos funcionários do Pão de Açúcar disseram que eles são acusados injustamente. O advogado Menezes também negou a acusação.

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