Fim de férias: Tuma Jr. resiste a pedir demissão

'Bombeiros' tentam convencer secretário nacional de Justiça - investigado pela PF - a evitar constrangimento de ser exonerado por ato administrativo

Vannildo Mendes / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2010 | 21h47

O delegado Romeu Tuma Júnior, licenciado da Polícia Civil de São Paulo, não deve retornar ao cargo de secretário nacional de Justiça, o segundo mais importante do Ministério da Justiça, quando terminarem suas férias na segunda-feira, 14.

 

Desgastado com a denúncia de envolvimento com a máfia de contrabando de produtos eletrônicos comandada pelo chinês Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li, preso em setembro pela Polícia Federal, Tuma Júnior teve seu destino selado nesta sexta-feira, 11, em reunião de quase uma hora entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto.

 

A forma do afastamento, porém, ainda está sendo negociada com o próprio secretário. Temperamental, o delegado resiste à ideia de pedir demissão, porque no seu entendimento seria uma confissão de culpa.

 

Bombeiros do governo passaram a tarde tentando convencer o secretário e evitar o constrangimento de ser demitido por ato administrativo. Lula autorizou Barreto a negociar uma saída não traumática com Tuma Júnior, fiel à sua praxe de não punir antecipadamente auxiliares enredados em inquéritos, sem condenação judicial.

 

Investigação. Gravações telefônicas e e-mails interceptados pela PF durante a Operação Wei Jin, desencadeada no ano passado, revelaram ligações estreitas entre Paulo Li e o secretário, conforme série reportagens publicada pelo Estado.

 

As interceptações da PF mostraram o secretário encomendando produtos eletrônicos ao contrabandista e acertando com ele providências para legalização de imigrantes chineses que chegam ao Brasil irregularmente em grande quantidade todos os anos. Sob o comando de Tuma Júnior, o governo concedeu no ano passado anistia a 42 mil imigrantes ilegais, procedentes de 130 países. O segundo lugar no ranking ficou com os chineses (5.492), superados apenas pelos bolivianos (16.881).

 

Um inquérito desmembrado a partir da operação revelou indícios de que Tuma Júnior transformou seu gabinete num balcão de negócios, a partir de assessores colocados por ele em postos-chave da Secretaria, entre os quais o Departamento de Estrangeiros e o Departamento de Recuperação de Ativos. O secretário é suspeito de atos de corrupção passiva, advocacia administrativa e formação de quadrilha, crimes que, cumulativamente, somam mais de 12 anos de prisão.

 

No início deste mês, a PF fez o cópias do HD do computador usado pelo delegado em seu gabinete. A diligência atingiu também o gabinete do diretor do Departamento de Estrangeiros, Luciano Pestana. A PF informou que depende agora de autorização judicial, já solicitada, para acessar o conteúdo e analisar as novas provas colhidas.

 

Ouvido em depoimento que durou 13 horas numa comissão de sindicância aberta pelo ministro Barreto, Tuma Júnior admitiu que conhecia Paulo Li, mas negou que soubesse de suas atividades ilegais. Negou também que tivesse usado o cargo para favorecer amigos. Procurado pela reportagem ontem, ele não foi localizado. A advogada Izaura Miranda, que o substitui nas férias, continuará no cargo até que o novo secretário seja escolhido.

Tudo o que sabemos sobre:
tumajuniorpaulolimáfiachinesatuma

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.