DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Fim da lua de mel

Após receber dois alertas nesta terça-feira, a hora é, como venho dizendo aqui, de Jair Bolsonaro arregaçar as mangas e cuidar da política se quiser avançar com a pauta de seu governo – reforma da Previdência à frente

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 03h00

Na falta de um alerta, Jair Bolsonaro recebeu dois nesta terça-feira de que a lua de mel pós-eleitoral chegou ao fim e a hora é, como venho dizendo aqui, de arregaçar as mangas e cuidar da política se quiser avançar com a pauta de seu governo – reforma da Previdência à frente.

O primeiro recado foi a pesquisa CNT/MDA, que mostrou que é de apenas 39% o contingente dos brasileiros que avaliam seu governo como ótimo ou bom. Bem abaixo dos índices de largada dos primeiros mandatos dos presidentes que o antecederam, inclusive Dilma Rousseff, que tinha a aprovação de 49,1% na mesma pesquisa em fevereiro de 2011.

O segundo sacolejo veio da lúcida fala do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na conferência do BTG Pactual. Ele, um insuspeito defensor da reforma da Previdência, disse sem meias palavras que Bolsonaro é “refém do discurso da campanha”. Que prometeu que o País mudaria rapidamente, e as coisas não se dão desta maneira na democracia. E que “não dá para continuar nessa discussão do que é nova e velha política”. “Existe A POLÍTICA”, ensinou. As maiúsculas são minhas, mas a ênfase foi dele.

Há elementos à mesa de Bolsonaro para que ele dê um freio de arrumação em seu governo antes dos 100 dias: se dedicar mais à política e menos à propaganda ideológica passadista como a que fez ontem, ao louvar ditadores, eleger a reforma como pauta a ser defendida por todos os ministros e entender que comunicação de um presidente da República, para atingir efetivamente o conjunto da sociedade (e não as macacas de auditório das redes sociais), tem de ser institucionalizada.

PREVIDÊNCIA

Governo vai correr com projeto dos militares

A advertência de Rodrigo Maia parece ter surtido efeito e o governo deve correr com o projeto que vai regulamentar as regras de aposentadoria e pensões dos militares e incluí-los na nova Previdência. O presidente da Câmara se comprometeu com o governo a só colocar o projeto dos militares para votação em plenário depois da aprovação da proposta de emenda constitucional que fixa as novas regras para servidores civis e a iniciativa privada. Mas convenceu o núcleo político do governo (a equipe econômica já estava nessa página) de que não seria possível convencer deputados a se desgastarem votando a reforma e deixar o pessoal de farda para sabe-se lá quando.

EDUCAÇÃO

Enquanto Vélez investe em propaganda, MEC está parado

O ministro Ricardo Vélez Rodríguez passou três horas na Comissão de Educação do Senado no dia seguinte à divulgação de sua peça de propaganda política do governo que deveria ser lida nas escolas para gerar vídeos que seriam usados como peça de propaganda. Falou em volta do ensino de educação moral e cívica (rebatizada de educação para a cidadania), chamou ensino médio de segundo grau e demonstrou que olha a Educação pelo prisma da ideologia e da nostalgia. Enquanto isso, o MEC está parado. Em sua curta passagem pela pasta no governo Temer, Mendonça Filho promoveu avanços significativos. Foram aprovadas a reforma do ensino médio e a Base Comum Curricular, para ficar em duas medidas que representaram uma guinada não apenas retórica na política petista. Mas há metas a serem perseguidas: a formulação de currículos a partir da Base Comum, a expansão da rede de ensino médio em tempo integral e a expansão da rede de educação infantil.

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