Fim da lepra é problema para ONGs

A eliminação da lepra - o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial - por um coquetel quimioterápico chamado PCT deverá ocorrer dentro de quatro anos, segundo a Organização Mundial da Saúde. O semanário Expresso de Lisboa (www.expresso.pt) publica hoje a difícil reconversão das 17 ONGs, que atuaram contra a doença, quando havia no mundo 15 milhões de leprosos deformados e incuráveis. Em 2005, haverá menos de cem mil casos em todo mundo, perfeitamente curáveis, entre 6 a 12 meses. A ação global contra a lepra, que passou a ser chamada hanseníase no Brasil, durante a época da ditadura, inclui a distribuição grátis pela OMS, em estojos especiais com as doses certas, dos três remédios miraculosos, fornecidos pela Novartis. Isso em todo mundo. A OMS não considera leprosos, mas deficientes físicos, os que foram deformados, no passado, pela doença. Apesar desse quadro otimista, muitas das organizações de combate à lepra continuam fazendo coleta de fundos para compra dos remédios e utilizando imagens, já raras de leprosos em fase adiantada. Uma ONG francesa, Raoul-Follereau, em lugar de aceitar os remédios gratuitos da OMS, doados pela Novartis, continua comprando de um fabricante belga, Swolfs. Ora, a OMS tinha rompido seu contrato com esse laboratório, por falta de qualidade, segundo testes de laboratório. No Brasil, onde a lepra tem ainda 80 mil casos, curáveis, há um excesso do remédio Predinipac, usado nos 5% de casos de reações ao tratamento. O remédio, também comprado da Swolfs, por uma ONG americana, existe em maior quantidade que o PCT, responsável pelas curas, alerta o Expresso.

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