Fim da inspeção veicular é 'crime', diz Gilberto Natalini

Candidato do PV se diz favorável a programa semelhante abrangendo todo o estado de São Paulo

ANA FERNANDES, Estadão Conteúdo

05 de agosto de 2014 | 19h21

O candidato a governador Gilberto Natalini (PV) classificou como "crime" a decisão da Prefeitura de São Paulo de terminar com a inspeção veicular, dizendo que a mudança nas regras do programa promovida pela Prefeitura na prática acabou por extingui-lo. "O prefeito de São Paulo (Fernando Haddad - PT) acabou com a inspeção veicular, isso foi um crime, não um crime ambiental, mas um crime da administração", afirmou nesta segunda-feira na série ''Entrevistas Estadão''.

Natalini disse que o governo municipal argumentou estar esperando a regulamentação estadual da inspeção, mas que isso não era motivo para acabar com o programa na cidade. Com relação a ter um programa semelhante abrangendo todo o Estado, disse ser favorável. "O governo do Estado serve de exemplo para as prefeituras. Se fosse governador, eu estaria preocupado não em ganhar nem perder votos, mas em salvar vidas. Limpar o ar está no programa do PV."

Na área de transportes, Natalini se disse favorável a expandir a malha ferroviária na capital e no Estado. "Um trem vale por mil ampliações da Marginal", disse, em referência ao gasto público em obras recentes para ampliar a Marginal Tietê, uma das principais vias rodoviárias da cidade de São Paulo. O candidato afirmou que deveria haver, por exemplo, conexão ferroviária da capital com cidades importantes, como Campinas e Sorocaba. Ele argumentou, no entanto, que deveriam ser trens "normais", com conforto, não trens-bala. "Trem-bala é sonho de uma noite de verão da presidente. Trem-bala é aquele trem maluco de R$ 60 bilhões. Com isto colocamos trens em várias áreas de São Paulo."

Natalini disse que o PV não é "inimigo do automóvel", mas que a solução para mobilidade é o transporte sob trilhos. Ele não respondeu diretamente se é favorável a levar o rodízio de veículos a outras cidades que, como a capital, enfrentam congestionamentos. Afirmou apenas que, para cidades como Ribeirão Preto, Santos e Campinas, a adoção do rodízio precisa ser estudada caso a caso.

Com relação ao pedágio urbano, o candidato disse que é uma medida que não pode ser implementada sem que haja uma melhoria na oferta do transporte coletivo. "Se você propõe um pedágio urbano sem a melhoria de transporte coletivo, a situação pode piorar. Você tem que melhorar as alternativas para depois restringir." Gilberto Natalini foi o segundo convidado da série Entrevistas Estadão, da qual participam os principais candidatos ao governo de São Paulo. O primeiro participante foi o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

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