Fim da greve na BA; civis podem parar no PA

Policiais civis e militares baianos encerraram oficialmente a greve de 13 dias numa assembléia realizada esta tarde no ginásio de esportes do Sindicato dos Bancários, no centro de Salvador, rejeitando simbolicamente o aumento de 21% escalonado, concedido pelo governo. No Pará, a Polícia Civil ameaça entrar em greve se o governo estadual não conceder reajuste de 30% a partir do próximo dia 1º de agosto. Nessa data, começa a vigorar um reajuste de 16% que o governador Almir Gabriel concedeu anteontem aos 21 mil servidores da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, 12 mil dos quais estão na ativa. Os militares estão descontentes com o reajuste e também ameaçam engrossar o movimento dos policiais civis. Esta manhã, na Bahia, houve resistência entre os grevistas que ocupavam o quartel do Corpo de Bombeiros devido a supostas ameaças feitas pelos oficiais que não aderiram ao movimento, mas o comando de greve conseguiu contornar o problema e convencer os colegas a voltar ao trabalho.Cerca de 700 pessoas participaram da assembléia, grande parte usando as fardas da corporação, inclusive integrantes da Tropa de Choque, o que animou os sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) que observavam a assembléia. "Acho que os policiais militares criaram uma nova consciência com a greve e acredito que apanharemos menos nas nossas manifestações", brincou um sindicalista que pediu para não ter o nome divulgado.Os líderes do movimento se revezaram em discursos ácidos contra o governo baiano, fazendo questão de frisar que os policiais resolveram encerrar a greve para não prejudicar a população e tachando os 21% de "miséria". O sargento Manoel Isidório de Santana, disse que "quando Deus comanda o movimento, tudo dá certo, pois governador e presidente da República não são maiores que Deus e Ele vai estar observando essa nossa guerra contra os inimigos do povo". Já o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Crispiniano Daltro, disse que a greve foi vitoriosa pois, pela primeira vez, foi possível unir as policiais civis e militares.O tenente Everton Uzeda, disse que os policiais resolveram dar um prazo de seis meses para o governador César Borges (PFL) estudar um aumento maior (de 33% sobre as gratificações, além dos 21% sobre o piso) para a categoria. "Os representantes do governo pediram um prazo de três meses para estudar isso e nós resolvemos dar o dobro de tempo e em dezembro queremos uma resposta". O que fazer se o governo negar novamente o aumento? Nem mesmo os policiais sabem. Uma facção propõe uma nova greve no período do carnaval quando Salvador recebe milhares de turistas. Uzeda se posicionou contra uma nova paralisação, mas quer que os policiais fiquem "mobilizados".A paralisação dos policiais deixou um rastro de destruição e morte na cidade. O Instituto Médico Legal de Salvador, registrou 41 mortos à bala, entre quarta-feira e ontem. Pelo menos 120 estabelecimentos foram saqueados entre os quais 19 lojas da Cesta do Povo (prejuízo global de R$ 9 milhões), mais de 150 carros roubados e centenas de feridos atendidos no Hospital Geral do Estado, o maior pronto-socorro de Salvador. Ontem à tarde, ao retornar ao trabalho policiais civis conseguiram localizar saqueadores. Uma mulher conhecida como Iranildes foi presa e um homem identificado como Luís Eduardo Freitas, de 33 anos, está sendo procurado. Os policiais encontraram na casa dos dois, situada no bairro Nordeste de Amaralina, vários eletrodomésticos, roupas e objetos roubados em lojas da Baixa dos Sapateiros e Vale das Pedrinhas. ParáO presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Pará (Adepol), Raimundo Benassuly, foi taxativo e disse que os policiais não aceitarão o reajuste dado pelo governo. " Os salários sofrem uma defasagem superior a 60%, mas se pelo menos a metade disso não for oferecido poderemos paralisar as atividades". O secretário Especial de Estado, Sérgio Leão, explicou que os policiais civis tiveram reajuste do salário mínimo em abril, o que não ocorreu com os militares e afirmou ainda que o reajuste concedido aos militares fará a folha de pagamento do Estado no setor pular dos atuais R$ 15.621 milhões para R$ 17.548 milhões por mês. "Tivemos um acréscimo de R$ 2 milhões". A presidente da Associação das Mulheres de Militares da PM, Maria Carolina, defende a união das categorias militar e civil da polícia para pressionar o governo na obtenção de um reajuste melhor. "O salário está muito baixo", disse ela. Com o novo reajuste, um soldado passará a ganhar menos de R$ 600,00.

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