Fim da greve gera confusão na UFRJ

O retorno de parte dos professores às salas de aula da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) provocou situações inusitadas. Elas vão de professores que enviam e-mails para seus alunos para confirmar se darão aula no dia seguinte a docentes que não fizeram greve, mas cujos alunos e terão de repor as aulas a que já assistiram, segundo resolução do Conselho de Ensino e Graduação (CEG). A aluna Rosane Boneli, do 8.º período de Engenharia Civil, resumiu o que parece ser sentimento da maioria dos estudantes: "Está tudo muito confuso. Estamos inseguros".A paralisação não afetou o estudante Reinaldo Lopes, de 20 anos, do quarto período de Física. Seus professores desobedeceram à decisão da Associação dos Docentes da universidade (Adufrj) de aderir à greve e permaneceram nas salas de aula. Mas alguns dos colegas de Reinaldo, não. Como parte da turma fez greve, o CEG decidiu que as aulas precisam ser repostas. "O resultado dessa confusão é que terei quatro meses de férias. Estou terminando minhas matérias agora, mas o novo período só deve começar em maio", calculou.Os professores nessa situação ficaram sem seus salários, como os colegas grevistas, não descansaram no período de paralisação e ainda terão de repor as aulas já dadas. O presidente da Adufrj, José Henrique Sanglard, confirmou a decisão do CEG. "Eles reconheceram a nossa greve e garantiram o direito dos alunos às aulas", afirmou.Sanglard não sabia quantos professores voltaram às aulas hoje. A decisão da assembléia é a de que fossem retomadas, mas isso não ocorreu em todos os cursos. "Houve o retorno das atividades acadêmicas, mas ainda não voltamos às salas de aula. Isso só deve ocorrer no ano que vem", afirmou a professora Cleusa Santos, vice-presidente da Adufrj.Alguns professores de informática recorreram às novas tecnologias para informar aos seus alunos que as aulas seriam retomadas. "Eu sabia que hoje seria normal, porque recebi e-mail dos dois professores de hoje. Quando chegar em casa, vou ver se tem mensagem dos três professores de amanhã para saber se tem aula. Na semana passada eles avisaram que não viriam", contou o aluno Nilo Sérgio de Assis Júnior, do primeiro período.Os professores da Faculdade de Química voltaram às atividades, mas as aulas nos laboratórios permanecem suspensas. Os funcionários encarregados de manusear os produtos químicos estão em greve desde a semana passada, quando foram retirados 26,05% dos seus salários, referentes ao Plano Verão. "Está tudo muito confuso. Vou trancar Cálculo 4 para tentar acompanhar as outras matérias", afirmou a aluna do quarto período Roberta Vieira Branco, de 20 anos.Na Universidade Federal Fluminense (UFF) as aulas recomeçaram normalmente. O Conselho de Ensino e Pesquisa se reúne na quarta-feira para definir o calendário de reposição. A proposta é de que os oito dias de aulas em agosto sejam contabilizados, e o período termine em 17 de abril. Os formandos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) também retomaram seus cursos, mas os demais estudantes só voltam a assistir às aulas em janeiro. Os professores da Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio) decidiram deixar a greve. O calendário de reposição não foi fechado.As comissões de vestibulares das universidades devem divulgar as novas datas das provas no dia 20. É provável que elas ocorram em fevereiro e março, já que o período letivo de 2002 deve ser iniciado em maio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.