Fim da CPMF será ruim para o Brasil, diz Lula

No rádio, presidente volta a afirmar que o Ministério da Saúde não pode ficar sem os recursos do imposto

Agencia Estado

19 de novembro de 2007 | 08h40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente,  para criticar os senadores, principalmente do PSDB e da oposição, que estão ameaçando votar contra a prorrogação da CPMF e advertir que se a emenda for rejeitada, eles estarão "criando problema para a sociedade" e "não para o governo". Depois de reiterar que "o Brasil não pode prescindir destes recursos", e lembrar que fez um acordo com os senadores para reduzir a alíquota e isentar 30 milhões de brasileiros de pagar o imposto, Lula advertiu que se a CPMF for extinta, o governo vai ter de "arrumar dinheiro em algum lugar". Lula apelou aos parlamentares dizendo que o momento não é de pensar "nas próximas eleições" ou "marcar posição", mas de "pensar no Brasil" e pediu que os senadores façam sua parte, prorrogando a CPMF. Veja também: Planalto quer corpo-a-corpo dos governadores no Senado pela CPMF Entenda a cobrança do imposto do cheque   "Nós fizemos a nossa parte. Agora, eu estou convencido de que os senadores irão fazer a parte deles, aprovando a CPMF", disse Lula, apelando para "a consciência" deles. "Eu acho que é normal que os senadores queiram negociar, acho que é normal que algumas pessoas se coloquem contra qualquer tipo de imposto. Mas eu também acho normal que as pessoas tenham responsabilidade na hora de votar e saibam o que significam R$ 40 bilhões no Orçamento da União, já que nós temos o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, com uma agenda de obras públicas) em funcionamento, já gerando crescimento econômico neste País, e já que nós regulamentamos a Emenda 29, que cuida do dinheiro da Saúde", disse o presidente, ao explicar que o governo colocou R$ 24 bilhões a mais para a Saúde, além da variação do PIB.  "O Ministério da Saúde chegará em 2011 com praticamente 72 bilhões de reais, o que é um orçamento primoroso", declarou o presidente, reconhecendo que "não é tudo" que precisamos para a Saúde, "mas é o máximo que alguém já pôde sonhar neste País". E otimista, acentuou que é isso que lhe garante que as pessoas irão votar a CPMF". O presidente cobrou também empenho dos governadores e prefeitos para ajudar a aprovar a emenda lembrando que estados e municípios receberão R$ 16 bilhões da CPMF. "Hoje, mais de 140 milhões de pessoas têm no SUS o seu único acesso ao serviço de Saúde, que é dinheiro da CPMF", avisou Lula. "Eu quero saber quem vai explicar para os prefeitos do Brasil, para os governadores do Brasil e para os pacientes do SUS na hora em que não tiver dinheiro para fazer essa quantidade de atendimentos", disse Lula, citando que são mais de 11 milhões de internações, 268 milhões de consultas especializadas, 348,8 milhões de exames laboratoriais, 9,3 milhões de hemodiálises, 134 milhões de procedimentos ambulatoriais e 2,2 milhões de partos. "Nós vamos ter que arrumar dinheiro em algum lugar", advertiu o presidente, salientando que "é importante que as pessoas percebam que o Brasil está vivendo um bom momento, que as coisas estão andando bem e, que, se a gente não fizer nenhuma loucura, este País finalmente encontrou seu caminho para o desenvolvimento, para o crescimento econômico e para melhorar a vida do povo brasileiro". Para Lula, "tem o tempo de fazer discurso, tem o tempo de marcar posição e, certamente alguns senadores não estão sabendo o que o dinheiro da CPMF causa de benefício neste país", insistindo que 40% do orçamento da Saúde vem da CPMF, e, nos últimos dez anos, foi a mais importante fonte de recursos do setor.  Texto atualizado às 20h20

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