NIlton Fukuda/Estadão
NIlton Fukuda/Estadão

Filipe Martins cobra resgate da 'base originária do governo e seu discurso conservador'

Assessor especial da Presidência cita enfraquecimento do 'núcleo político-ideológico' que elegeu Bolsonaro

Gregory Prudenciano, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2020 | 16h31

O assessor especial da Presidência da República, Filipe Martins, cobrou, em postagens no Twitter, o resgate e a proteção da base originária do governo de Jair Bolsonaro e ao seu discurso conservador. Na série de textos, ele cita o enfraquecimento do “núcleo político-ideológico” que levou o presidente ao poder, em 2018. Martins é um dos mais fiéis seguidores do escritor Olavo de Carvalho, cuja ideologia conservadora é considerada a base do atual governo.

Na visão de Martins, esse grupo perdeu influência sobre o presidente e, com o enfraquecimento desse discurso, o governo se viu obrigado a aceitar apenas propostas e políticas consideradas aceitáveis pelo establishment. Ele não cita nos textos, mas Bolsonaro se aproximou ao Centrão e deu cargos aos partidos desse grupo em troca de suporte político no Congresso.

Essa aproximação constituiu o que Martins chama de um “neutralismo tecnocrático”, que tornaria o governo refém dos inimigos da transformação cultural pretendida pelo núcleo político-ideológico que o sustentava. Para Martins, essa nova postura do presidente torna o governo “incapaz de desafiar a ideologia dominante”, além de aumentar o custo político dos apoiam Bolsonaro.

“Depois de um longo período atacando a chamada ‘ala ideológica’, grupo que forma a base de apoio originária e mais fiel do Presidente, o establishment já se sente à vontade para eleger novos alvos e agora direciona seus ataques contra os militares que integram o governo”, exemplificou Martins, tendo como plano de fundo as críticas feitas pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) aos militares que ocupam cargos governamentais.

O único jeito de reverter esse quadro seria, na visão de Martins, “proteger quem com ele colabora, é resgatar e proteger a base originária do governo e seu discurso conservador”.

As demandas de Martins encontram eco em manifestações recentes do próprio Olavo de Carvalho. O escritor já cobrou de Bolsonaro apoio a si próprio e aos seus seguidores, além de ter dito que o presidente é “fraco” e que nada fez “contra o avanço do comunismo”. “Virou ‘pragmático’, e quanto mais pragmático virou, mais foi acusado de fascista e ditador. A fraqueza atrai a agressividade”, disse Olavo nas redes sociais, em referência a Jair Bolsonaro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.