Filiação de Eduardo Paes ao PMDB causa tumulto

O ex-deputado deixou o PSDB nesta quarta-feira e entra na base aliada a convite do governador do Rio

03 de outubro de 2007 | 14h09

Em meio a um tumulto provocado por militantes do PMDB ligados ao ex-governador Anthony Garotinho, o ex-deputado Eduardo Paes, que ocupava a secretaria-geral do PSDB, formalizou, no início da tarde desta quarta-feira, 3, a sua filiação ao partido do governador Sérgio Cabral Filho. Paes, que é secretário estadual de Esportes e Turismo do Rio, ingressou no PMDB pelas mãos de Cabral como pré-candidato à Prefeitura do Rio, contrariando o acordo feito pelo ex-governador Anthony Garotinho, presidente regional do PMDB, com o DEM do prefeito do Rio, Cesar Maia.  Pelo acordo, avalizado pelo presidente da Assembléia do Rio, Jorge Picciani, o PMDB apoiaria um nome do DEM para a sucessão de Maia. Embora tenha participado da articulação, Cabral decidiu combater o acordo e convidou Paes para trocar o PSDB pelo PMDB. Cabral e Paes chegaram à sede regional do partido, no Centro do Rio, sob aplausos e vaias, num sinal da divisão do auditório lotado. Na frente, um grupo minoritário ligado à Juventude PMDB, que é liderada pela filha de Garotinho, Clarissa Matheus, gritava palavras de ordem contra o ex-tucano e seguravam cartazes com dizeres como "Não aceitamos barriga de aluguel. Fora Eduardo Paes". A maioria do auditório, favorável ao secretário, respondia gritando o nome dele. Após os discursos de Paes e de Cabral, houve tumulto e alguns adversários chegaram a se empurrar.  "São naturais as manifestações dessa garotada, ligada a gente sabe a quem", disse Cabral na saída, referindo-se a Garotinho. Sobre a possibilidade de a filiação de Paes ser impugnada pelo diretório regional, como cogitou Garotinho, o governador desdenhou do desafeto: "Coitado, deixa ele para lá". Em entrevista coletiva mais tarde na secretaria de Esportes, Paes afirmou que chega ao PMDB disposto a trabalhar pelo caminho que será definido pela legenda, seja a aliança com o DEM, seja a candidatura própria. Além dele, o deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) postula a cabeça de chapa. Apesar de ter sido um dos deputados mais atuantes na CPI dos Correios em 2005, onde se referiu por várias vezes ao governo Lula como uma quadrilha, Paes afirmou que não se sentirá desconfortável se tiver, na condição de candidato peemedebista, o presidente Lula em seu palanque.  "Eu era deputado, aquele era o meu papel, a minha obrigação. Como secretário, esse não é o meu papel. Recebi do governo federal os recursos para terminar o Pan. O que era mais importante para o Rio? Ficar de birra com o Lula ou realizar o Pan? Não são deputado, não estou na secretaria para investigar governo nenhum. Se algum dia for prefeito, governador, papa, seja lá o que for, vai ser igual. Como deputado, tinha essa obrigação (de investigar). Como secretário não", afirmou. "Não tenho constrangimento. Não gosto de corrupção em lugar nenhum. Sempre que eu vir vou falar. Vi e falei. Cumpri minha obrigação." O deputado negou que tenha causado mal-estar a sua saída repentina do PSDB depois de cinco anos, mas justificou a decisão mencionando indiretamente as dificuldades do partido de chegar ao poder no Rio. "Eu só deixei amigos no PSDB. Sem dúvida me dá tristeza não poder mais conviver com a constância partidária com (José) Serra, Aécio (Neves), Sérgio Guerra, Tasso Jereissati e Arthur Virgílio. São pessoas com quem tenho relações pessoais, que não mudam. A crítica deles é elogiosa. Sei que as pessoas ficaram tristes, mas as circunstâncias deles são diferentes".  Fotos: Wilton Junior/AE Texto atualizado às 17h30

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