Filhos de vítimas reivindicam justiça

Terroristas mudaram suas vidas ao cumprir penas de prisão, diz deputado

Andrei Netto, ROMA, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

A Itália vive um grande consenso social em relação a Cesare Battisti. Excetuados setores minoritários da extrema esquerda e intelectuais que defendem a superação dos traumas causados pelos anos de chumbo, a opinião pública do país se mostra solidária às vítimas do terrorismo dos anos 70 e 80. Em Roma, Milão e Turim, cidades em que vivem a maior parte dos parentes de vítimas do terrorismo, o sentimento mais presente nos depoimentos colhidos pelo Estado é a ânsia por justiça.Giovanni Bachelet, 53 anos, físico por formação e deputado, é uma das vozes serenas a pedir o repatriamento do extremista. Filho de Vittorio Bachelet, membro democrata-cristão da Aliança Católica, assassinado em 1980 pelas Brigadas Vermelhas, jamais havia militado em associações de vítimas até a prisão de Battisti no Brasil. "Minha atitude nunca foi revanchista, nunca pedi nada além de justiça e perdão", sustenta. "Mas hoje represento a Itália, e a Itália está pedindo a extradição."Giovanni diz que muitos terroristas mudaram suas vidas após cumprir suas penas. "Os assassinos de meu pai estão livres e vivem uma nova vida. Isto é positivo", argumenta.Sabina Rossa, 46, ex-deputada e ex-senadora, filha do sindicalista Guido Rossa, executado pelas Brigadas Vermelhas em 1979, também diz optar pela razão em detrimento da emoção ao falar de Battisti. "Assassinato é um crime muito bem descrito em nossa legislação. Não basta argumentar que se passaram 30 anos e que os fatos devem ser esquecidos. Crimes de terrorismo e da Máfia não são prescritíveis em nosso país."Já os filhos de duas vítimas diretas do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo ao qual pertencia Battisti, demonstram razões pessoais - e mais passionais - para almejar o retorno do ex-militante detido no Brasil. Alberto Torregiani, 44 anos, filho do joalheiro Pierluigi Torregiani, morto em 1979, em Milão, ficou paraplégico ao ser atingido por um dos disparos. Ele não perdoa Battisti. "Não sei se há diferenças entre um assassino comum e um político. Assassino é assassino", afirma.Filho de Lino Sabbadin, assassinado pelo PAC no mesmo dia em que Pierluigi morreu, Adriano Sabbadin não esconde a preocupação revanchista. "Battisti é o homem que matou meu pai. O processo foi conduzido pela Justiça com todo o direito de defesa. Ele precisa pagar", afirmou, exaltado.

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