Filhos de sem-terra fazem mobilizações em três Estados

Objetivo foi pedir mais escolas e melhores condições de educação nos assentamentos

Evandro Fadel e Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

12 de outubro de 2007 | 00h00

Filhos de militantes do Movimento dos Sem-Terra, entre 7 e 14 anos de idade, participaram ontem de mobilizações em três capitais para pedir mais escolas e melhores condições de educação nos assentamentos. Em Curitiba, cerca de 1.200 crianças e adolescentes, alguns acompanhados dos pais, fizeram uma passeata pela manhã no centro da cidade. Eles participam desde quarta-feira do 7º Encontro Estadual dos Sem-Terrinha, em Almirante Tamandaré, que será encerrado hoje, com uma visita ao Zoológico de Curitiba. O encontro deste ano teve como tema Por Escola, Terra e Dignidade.De acordo com o movimento, o Paraná tem 288 assentamentos, mas em apenas 80 deles há escolas. Nos outros, crianças e adolescentes estudam em escolas que ficam nas cidades. "O governo coloca transporte escolar, mas tem criança que fica mais de duas horas dentro do ônibus", ressaltou o coordenador estadual de Educação do MST, Alessandro Santos Mariano. Por isso, a principal reivindicação é para que as escolas sejam levadas para dentro dos assentamentos.Durante a passeata, os próprios sem-terrinha comandaram as palavras de ordem de cima do caminhão de som, reivindicando melhorias na educação e assentamento de mais 8 mil famílias no Estado. Na Praça Santos Andrade, onde terminou a manifestação, eles realizaram brincadeiras de roda para lembrar alguns direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. As reivindicações foram levadas por um grupo de crianças à Secretaria de Estado de Educação e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).PAUTAFilhos de sem-terra também fizeram uma passeata ontem no centro do Recife até o Palácio do Campo das Princesas, onde entregaram uma pauta de reivindicações ao governador Eduardo Campos (PSB). Como em Curitiba, educação foi o foco.Numa audiência com o governador, representantes dos sem-terrinha de Pernambuco também pediram mais escolas nos assentamentos. O governador prometeu analisar e responder a todos os itens da pauta numa nova reunião em novembro. Em seguida, ele falou às crianças e adolescentes reunidos na Praça da República, elogiando a mobilização. A manifestação encerrou o 10º Encontro dos Sem-Terrinha de Pernambuco, cujo tema foi Rompendo Cercas, Fazendo História. Em Porto Alegre, os sem-terrinha fizeram uma concentração diante da sede do Incra.

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