Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Filhos de Jair Bolsonaro ficam longe de articulações na posse do novo Congresso

Flávio, senador eleito, e Eduardo, deputado reeleito, tomaram posse em suas cadeiras, mas fugiram dos holofotes

Leonencio Nossa e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2019 | 22h10

BRASÍLIA - Foi com discrição que os dois filhos do presidente Jair Bolsonaro, o senador eleito pelo PSL do Rio Flávio e o deputado Eduardo, reeleito pelo partido em São Paulo, tomaram posse em suas cadeiras e acompanharam ontem as movimentações em torno das disputas pelas Mesas Diretoras do Congresso. Eles fugiram dos holofotes e ficaram longe das conversas e articulações dos líderes partidários para as eleições nas duas Casas.

No momento em que Flávio fez o juramento de posse no Senado, no final da tarde, pessoas gritaram no fundo do plenário “Queiroz”, sobrenome de Fabrício, ex-assessor dele na Assembleia do Rio investigado por movimentações financeiras atípicas apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Antes, o filho do presidente teve rápidas conversas ao pé de ouvido com os senadores Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL), ambos candidatos ao comando do Senado.

Pelo gabinete de Flávio Bolsonaro, no 17.º andar do anexo principal do Senado, passaram poucos militantes e deputados. Numa entrevista rápida a jornalistas, o senador foi questionado sobre o relatório do Coaf e decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que devolveu a investigação para primeira instância.

Do outro lado do Congresso, a movimentação foi intensa no corredor do 3.º andar do prédio anexo da Câmara. Lá fica o gabinete de Eduardo Bolsonaro. O escritório foi procurado por deputados, militantes e simpatizantes da família. No final da manhã, ele deixou a Casa para almoçar com a mãe, Rogéria, e a noiva, Heloísa. Voltou à tarde para encontros no gabinete da liderança do PSL.

Eduardo só chegou ao plenário da Câmara por volta de 18 horas, antes dos primeiros discursos dos candidatos ao comando da Mesa Diretora. No momento em que o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) denunciava na tribuna “riscos” sofridos pela democracia, Eduardo mantinha atento a conversas com colegas no plenário. 

“Ele não participou de articulações, ficou mais quieto”, disse o deputado Fábio Ramalho (MDB-MG). Os aliados mais próximos também evitaram comentar a atuação discreta de Eduardo. “Pergunta pra ele”, disse, ríspido o líder do governo Major Vitor Hugo (PSL-GO). 

A aliados, Eduardo disse que vai esperar a definição dos nomes da Mesa Diretora da Câmara para articular o apoio dos deputados ao projeto da reforma da Previdência que o governo enviará ao Congresso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.