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Filho de Cerveró usou iPhone para gravação

Bernardo Cerveró desconfiou que advogado do pai tentava boicotar delação premiada e entrou em reunião com celular

Adriano Ceolin, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2015 | 06h45

Brasília - O filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró, de 34 anos, precisou apenas de um iPhone para fazer o flagrante que levou à prisão o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), e do influente banqueiro André Esteves. Desconfiado de que a defesa do pai tentava veladamente boicotar sua delação premiada, em conluio com o senador petista, ele apertou a tecla “REC” do smartphone e conseguiu captar 1h35 do diálogo.

A reunião em que a conversa foi gravada ocorreu no dia 4 deste mês, no hotel Golden Tulip, um dos mais luxuosos de Brasília. Delcídio, que mora no local, seu chefe de gabinete, Diogo Ferreira, e o advogado Edson Ribeiro marcaram no flat em que Bernardo estava hospedado.

O encontro ocorreu porque Bernardo passou a defender que o pai, já com duas condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, fizesse acordo para colaborar com os investigadores e, assim, se livrar das penas. Ribeiro se pôs contra, o que o fez suspeitar de que atuava em favor de Delcídio. Após uma série de conversas, Bernardo decidiu gravar o grupo para deixar claro ao Ministério Público Federal que o pai tem condições de apresentar provas contra outros envolvidos no esquema de corrupção da Petrobrás.

O filho de Cerveró se preparou para usar quatro gravadores, mas não contava com as suspeitas de Ribeiro, que o mandou deixar seu celular do lado de fora do quarto. Ele conseguiu, no entanto, entrar com o smartphone. “O que eu combinei com o Nestor (Cerveró) é que ele negaria tudo com relação a você (Delcídio)... Não tendo delação, ficaria acertado isso. E, se houvesse delação, ele também excluiria (o senador petista)”, detalhou o advogado na reunião do hotel.

Depois da gravação, Bernardo procurou a força-tarefa da Procuradoria-Geral da República. Ele foi auxiliado pela advogada Alessi Brandão, que é constituída para atender Cerveró em Curitiba.

Ribeiro tentou convencer Bernardo de que havia condições de conseguir a liberdade de Cerveró por meio de um habeas corpus. As tratativas tiveram participação efetiva de Delcídio, que era amigo da família Cerveró. Antes de ser senador, ele foi diretor da Petrobrás e teve Cerveró como assessor. Depois, já como senador, patrocinou a indicação do ex-assessor para o cargo de diretor internacional da estatal.

Ator. Bernardo, que tem uma irmã, Raquel, é ator e produtor teatral. Casado, mora no Rio e estudou no Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, na zona sul, e depois na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), famosa instituição que oferece curso de formação de atores. Em 2003, ele graduou-se pela Escola e Faculdade de Dança Angel Vianna, em Botafogo (zona sul). / COLABOROU FÁBIO GRELLET

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