Filho nega que deputado Pedro Corrêa queira fazer delação premiada

Filho do ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), o advogado Fábio Corrêa negou que seu pai tenha intenção de fazer delação premiada e disse que o juiz federal Sérgio Moro quer "aparecer'' ao determinar a prisão preventiva do parlamentar na semana passada por suposto envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. Condenado pelo mensalão, Corrêa já está preso em Pernambuco há pouco mais de um ano.

DANIEL CARVALHO, Estadão Conteúdo

12 Abril 2015 | 16h25

No decreto de prisão, consta que o ex-deputado recebeu valores ilícitos do doleiro Alberto Youssef mesmo quando estava sob julgamento no Supremo Tribunal Federal no processo do Mensalão. Ele teria usado contas da nora, de ex-assessores e de um funcionário de sua fazenda para receber recursos desviados da Petrobrás.

Desde sexta-feira, dia 10, o advogado Clóvis Corrêa Filho, primo de Pedro Corrêa, tem dito a jornalistas que o aconselhou a fazer delação premiada porque ele "sabe de muita coisa" e que tinha que "contar tudinho".

O filho do ex-deputado negou que o pai tenha essa intenção. "Tio Clóvis, no afã de ajudar o primo dele, fala muita coisa. Papai não tem nenhuma intenção. Ele não vai fazer delação hora nenhuma porque não tem nada para delatar. Quem delta é quem é culpado", disse Fábio à Agência Estado.

Em nota divulgada na manhã de hoje, o advogado de Pedro Corrêa, Michel Saliba, também negou a intenção de firmar acordo de delação premiada. "A declaração do advogado Clóvis Corrêa, primo de Pedro Corrêa, não reflete o pensamento deste, quer em relação à robustez das provas, eis que Clóvis sequer teve acesso aos autos, bem como - e principalmente - em relação à possível prática de delação premiada, algo sequer cogitado pelo ex-parlamentar, que afirma ter agido nos limites legais", disse, em nota, o escritório Saliba Oliveira & Advogados Associados, que defende Pedro Corrêa.

Condenado no mensalão, Pedro Corrêa cumpre pena na penitenciária de Canhotinho, a 210 quilômetros do Recife (PE). Desembargador aposentado, Clóvis Corrêa disse ter sugerido a delação premiada três dias antes do início da 11ª fase da Operação Lava Jato, quando esteve com o primo na unidade prisional.

Fábio disse que apenas sua mãe e sua irmã estiveram com o pai desde a última sexta-feira, mas que elas não relataram como o ex-deputado se encontrava.

Moro

Além de alegar a inocência do pai, Fábio criticou a decisão de Moro de mandar prender o ex-deputado, que, condenado em 2012, cumpre pena desde dezembro de 2013. O juiz federal determinou a transferência de Corrêa para Curitiba (PR), capital em que se concentra a Operação Lava Jato.

"Ele já está preso. Não tinha necessidade (de novo mandado de prisão). É o Sérgio Moro querendo aparecer. Qual a necessidade? Prisão preventiva para prevenir o quê? Ele (Moro) gosta de aparecer na mídia. Ele é o todo poderoso juiz Sérgio Moro. Pega uma pessoa que já está presa, tira de um canto e bota no outro com o dinheiro do Estado. Quem vai pagar é o contribuinte", disse Fábio, salientando que o pai tem 67 anos, é diabético e hipertenso.

O filho de Corrêa também já fez críticas ao juiz Luiz Rocha, da 1ª Vara de Execuções Penais de Pernambuco, por não conceder progressão de regime ao ex-deputado na pena do Mensalão. Corrêa está em regime semiaberto e trabalhava em uma clínica de radiologia no interior do Estado. Segundo o filho, desde fevereiro, o ex-deputado "fica o dia todo dentro do presídio". Alegando perseguição por parte de Luiz Rocha, Fábio chegou a cogitar pedir para que o pai fosse transferido para Brasília. (Colaborou Murilo Rodrigues Alves)

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