Filho de vítima de Battisti não descarta perdoar ex-militante

'O perdão poderá ocorrer diante de um arrependimento, ou se ele assumir sua responsabilidade', afirmou Alberto Torregiani

Estadão.com.br,

20 de janeiro de 2011 | 17h42

SÃO PAULO - Segundo nota divulgada nesta quinta-feira, 20, pela agência ANSA, o italiano Alberto Torregiani não descartou perdoar o ex-militante Cesare Battisti pela morte de seu pai, o joalheiro Pierluigi Torregiani.

 

De acordo com uma matéria publicada na versão impressa do jornal La Stampa, Alberto Torregiani falou, pela primeira vez, sobre "perdão", durante uma coletiva de imprensa realizada ontem em Estrasburgo com familiares das vítimas do grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), do qual Battisti fazia parte.

 

"O perdão poderá ocorrer diante de um arrependimento, ou se ele assumir sua responsabilidade. É possível, mas requer a aceitação da pena, pois não é um bônus pela carnificina", declarou Torregiani.

 

O La Stampa definiu como "estranha" a declaração do filho de Pierluigi, assim como a coletiva de imprensa, que tinha o objetivo de apresentar o caso de Battisti aos membros do Parlamento Europeu, que votam hoje uma resolução que pede a extradição do ex-militante.

 

O texto diz ainda que "alguma coisa acontece também no país sul-americanos [Brasil]", onde o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) declarou à ANSA que estaria disposto a pedir para os familiares das vítimas se "encontrarem com Cesare" caso venham ao país.

 

Torregiani, por sua parte, afirmou que, se o grupo viajar ao Brasil, "não será para falar com ele, mas sim, com o povo brasileiro".

 

A resolução votada hoje pelo Parlamento Europeu pede para o Brasil "exercitar o direito/dever" de extraditar Battisti, "procurando cumprir de modo correto a interpretação do tratado bilateral" com a Itália.

 

O texto também pede para as autoridades italianas "conduzirem o diálogo político" de maneira que garanta os "princípios fundadores da União Europeia (UE)", a justiça e os Direitos Humanos.

 

Cesare Battisti é condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando integrava o PAC. Um desses crimes é o assassinato de Pierluigi Torregiani em 1979, em Milão.

 

No dia 31 de dezembro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu acatar o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) e manter o italiano no Brasil.

 

A decisão de Lula foi baseada na sentença do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2009 definiu que a palavra final sobre a extradição de Battisti caberia ao chefe do Executivo.

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