Filho de Maluf nega conta no exterior

Sob suspeita de ser beneficiário de aplicações financeiras na Ilha de Jersey, o empresário Flávio Maluf - filho do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) -, afirmou em depoimento ao Ministério Público de São Paulo que "não possui qualquer conta no exterior". Flávio foi ouvido em audiência fechada no dia 28 de março por um promotor de Justiça de São Paulo. Participaram da reunião dois promotores federais dos Estados Unidos e dois agentes especiais do FBI, a Polícia Federal americana.O empresário foi intimado oficialmente para depor sobre outro caso no qual seu nome é citado - o suposto esquema de suborno de US$ 1,5 milhão na Prefeitura para instalação de cabos de fibra ótica na capital. O episódio envolve a MetroRed, empresa com sede nos Estados Unidos. No interrogatório, os promotores também questionaram Flávio sobre depósitos fora do País.Ele disse que "não é de seu conhecimento se seus familiares ou cônjuges possuem alguma conta no exterior, enquanto pessoas físicas". Segundo Flávio, "nunca foi comentado na família, sejam irmãos, cunhados ou cunhadas, sobre questões relativas a contas no exterior ou no Brasil". Indagado se é beneficiário de alguma conta de terceiros ou trust (espécie de fundo de aplicações), ele declarou: "Não, não sou."Presidente da Eucatex S.A., Flávio foi ouvido no escritório do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) - braço do Ministério Público que apura lavagem de dinheiro, corrupção e fraude em órgãos públicos. O Estado teve acesso ao depoimento. Além do caso MetroRed, Flávio está sendo investigado porque seria beneficiário de trust em Jersey, paraíso fiscal localizado no Canal da Mancha.O depoimento foi tomado pelo promotor do Gaeco Marcelo Mendroni. Dois promotores federais americanos - Philip Urofsky e Justin S. Weddle - e dois agentes do FBI - Gary Zaugg e Kenneth F. Hosey - acompanharam a audiência. O empresário respondeu 32 perguntas.Dossiê CaymanAo ser indagado sobre seus negócios, Flávio disse que a Eucatex - sob sua direção desde 1997 - possui uma subsidiária, a Eucatex North-America, em Atlanta (EUA). Ele possui outras duas empresas, a Grandfood, que faz ração para animais, e a Brascorp Participações Ltda, que atua na construção civil. Ele acrescentou que não sabe se alguma das empresas pertencentes a membros de sua família possui conta bancária no exterior.O filho do ex-prefeito declarou que "jamais abriu qualquer empresa tipo offshore e tampouco sabe se algum familiar o fez". Afirmou que só ouviu falar da MetroRed através dos jornais: "Nunca realizei negócios com a MetroRed." Ele informou ter contatado a Kroll Associates - conceituada agência internacional de investigação - para apurar a vinculação de seu nome ao caso, mas a Kroll "não chegou a nenhuma conclusão objetiva".Os promotores americanos estavam particularmente interessados em saber se Flávio conhece os empresários Oscar de Barros e José Maria Teixeira Ferraz, presos no ano passado em Miami, acusados de lavagem de dinheiro. Eles também são citados como supostos envolvidos na divulgação do Dossiê Cayman - papéis forjados sobre conta bancária naquele paraíso fiscal em nome de alguns dos mais importantes líderes do PSDB. "Não conheço e nunca realizei nenhum tipo de negócio com os dois", disse Flávio.Os agentes americanos questionaram Flávio sobre Caio Fábio D´Araújo Júnior, pastor citado como um dos autores do dossiê. "Nunca o vi", respondeu ele. Ao final de seu relato, Flávio disse que se considera "extremamente penalizado profissionalmente e pessoalmente" com o episódio e avisou que pretende processar "todos aqueles que causaram danos à sua pessoa e às empresas".VereadoraA vereadora Ana Martins (PC do B), presidente da CPI da Dívida Pública na Câmara, divulgou nota rebatendo acusações de Paulo Maluf. O pepebista havia contestado a descoberta pela CPI de telefonemas seus e de sua família para Jersey, chamando a vereadora de "mentirosa". Na nota, ela reitera que Maluf prestará novo depoimento aos vereadores no dia 10 e garante não se ter intimidado com as declarações do ex-prefeito. "Comprovantes de irregularidades cometidas por Maluf serão apresentados no momento adequado", diz Ana Martins.

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