Estadão
Estadão

Filho de Lula presta depoimento à polícia

Segundo seu advogado, Luís Cláudio foi de maneira espontânea atéBrasília, onde foi ouvido em inquérito que apura suposta compra de MP

Andreza Matais, Fábio Fabrini / BRASÍLIA e Julia Affonso, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2015 | 21h39

Brasília - O empresário Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, declarou ontem, à Polícia Federal, que prestou serviços à Marcondes e Mautoni nos anos de 2014 e 2015 e, por isso, recebeu “os valores que foram contratados”. A Marcondes e Mautoni está sob suspeita de compra de Medidas Provisórias para favorecer o setor automotivo.

A Marcondes & Mautoni Empreendimentos fez repasses à LFT Marketing Esportivo, aberta em março de 2011 por Luís Cláudio, que teria recebido R$ 2,4 milhões. O filho do ex-presidente é alvo da Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda.

Na semana passada, a Polícia Federal intimou o filho de Lula para depor no inquérito. O depoimento ocorreria na sede da PF em São Paulo, mas ontem Luís Cláudio foi a Brasília e prestou esclarecimentos diretamente ao delegado de Polícia Federal Marlon Cajado, que preside o inquérito policial.

‘Know how’. Segundo o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o empresário, Luís Cláudio reafirmou ontem ao delegado da Polícia Federal “seu know how na área esportiva, fruto da passagem por quatro clubes de futebol do Estado de São Paulo (São Paulo, Palmeiras, Santos e Corinthians)”.

O filho do ex-presidente, de acordo com o advogado, esclareceu à PF detalhes da “prestação de serviços de marketing esportivo ao Corinthians e, ainda, por ser há quatro anos o organizador de um campeonato nacional de futebol americano”.

Luís Cláudio já havia informado ao Estado que recebeu os R$ 2,4 milhões, entre 2014 e 2015, por um projeto desenvolvido em sua área de atuação, o “esporte”. Mas o filho do ex-presidente não havia detalhado quais serviços prestou.

Buscas. Semana passada, a PF fez buscas na sede de empresas de Luís Cláudio em São Paulo, por ordem da juíza Célia Regina Ody Bernardes, da 10.ª Vara Criminal Federal em Brasília. Na ocasião, a PF prendeu lobistas acusados de “comprar” medidas provisórias que favoreceram montadoras de veículos, editadas entre 2009 e 2013 nos governos Lula e Dilma Rousseff.

O ex-ministro Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência entre 2003 e 2010 e ministro da Secretaria-Geral entre 2011 e 2014, prestou depoimento por suspeita de “conluio”. Carvalho negou ter agido em “conluio” com os suspeitos da compra da MP.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.