Filho de Lula pode ser intimado a depor na PF

Procurador da República determina apuração no contrato de R$ 4,9 mi entre a Gamecorp, empresa cujo dono é Fábio Luiz da Silva, e a Telemar

Marcelo Auler, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

A prevalecer a determinação do procurador da República Rodrigo Ramos Poerson, a Delegacia Fazendária da Polícia Federal do Rio deverá intimar para prestar depoimento Fábio Luiz da Silva, filho do presidente Lula, e o auditor e consultor de empresas Antônio Marmo Trevisan para explicarem o contrato firmado entre a Gamecorp e a Telemar.Foi Poerson quem, a partir de um requerimento aprovado pela Câmara Municipal de Belém (PA), por iniciativa do vereador Iran Moraes (PSB), determinou a investigação do contrato firmado entre as duas empresas. O político paraense, com base em noticiário de jornal, apresentou aos demais colegas a proposta de requerimento à Procuradoria da República solicitando investigação, que foi aprovada em plenário."Eu juntei documentação que consegui no noticiário da internet sobre o contrato das duas empresas. Achei estranho que uma empresa com capital de menos de R$ 500 mil firmasse um contrato de R$ 4,9 milhões com a Telemar. Certamente a Telemar está buscando algum favor no governo do presidente Lula", explicou o vereador.No seu pedido (ofício 246/2006), o procurador justifica a investigação dizendo que "desproporcional aporte de recursos financeiros estaria sendo direcionado à empresa Gamecorp, única e exclusivamente em razão de contar com a participação acionária do filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz da Silva".Apesar de aprovado em fevereiro de 2006, o documento só foi encaminhado à Polícia Federal do Rio em 18 de outubro. No último dia 29 de julho é que o inquérito policial 1.267/2007 foi instaurado na Delegacia Fazendária. A demora na abertura da investigação foi decorrência do acúmulo de serviços que a delegacia tinha e da pequena equipe disponível, reforçada no final do ano.O primeiro passo do delegado encarregado do inquérito, Júlio Cesar Rodrigues, foi requisitar à Gamecorp, à Telemar e à Junta Comercial documentos relacionados à empresa e ao contrato em si. Somente depois que estes documentos lhe forem entregues é que ele avaliará se cabe à Polícia Federal no Rio fazer a investigação.O inquérito foi encaminhado esta semana à Justiça para ser distribuído a uma das oito Varas Criminais Federais do Rio. É com base no número do inquérito e na Vara em que ele for tramitar que será definido o procurador da República que irá acompanhar. O caso não necessariamente ficará a cargo do procurador Poerson.GAMECORPA Gamecorp nasceu com capital de R$ 10 mil, em 2004. No ano seguinte, mesmo com um prejuízo de R$ 3,4 milhões, houve a operação de compra de parte da empresa pela Telemar. Os sócios originais aumentaram o capital da companhia em mais R$ 2,7 milhões. A Telemar injetou outros R$ 2,5 milhões na empresa, para adquirir exclusividade sobre seus projetos e produtos. Em 2006, apesar do prejuízo do ano anterior, a Telemar destinou mais R$ 5 milhões à Gamecorp, dessa vez como verba publicitária. A Gamecorp faz programas para o público jovem e aluga espaço na grade da PlayTV, antiga Rede21, da TV Bandeirantes.

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