Filho de Jango quer CPI para investigar morte do ex-presidente

O filho do ex-presidente João Goulart, João Vicente, sugeriu nesta quinta-feira que o Congresso Nacional instaure uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar novamente as circunstâncias da morte do ex-presidente, em dezembro de 1976. Segundo ele, "ainda restam dúvidas sobre os fatos que antecederam a morte de Jango". Na época amigos, familiares e correligionários foram informados que o ex-presidente tinha morrido depois de um ataque cardíaco quando estava dormindo em sua fazenda na cidade de Mercedes, na Argentina. Um dos motivos de desconfiança é o atestado de óbito com a descrição genérica da morte do ex-presidente.João Vicente não descarta a possibilidade de que Jango tenha sofrido um atentado patrocinado pelos militares que atuaram na Operação Condor, ação de grupo armado e clandestino formado por militares brasileiros, argentinos e chilenos, países onde vigoravam ditaduras. "Há vários indícios de que a morte de Jango não foi natural", disse João Vicente.Há três anos o Congresso Nacional criou uma comissão externa para reinvestigar as circunstâncias da morte do ex-presidente. Mas o relatório foi genérico e não conseguiu indícios importantes para apontar suspeitas de que o ex-presidente foi assassinado.Ele, a mãe Maria Tereza e a irmã Denise deram entrada nesta quinta-feira, na comissão de anistia do ministério da Justiça, a um pedido para que o governo brasileiro reconheça, 28 anos depois da morte, a condição de anistiado político ao presidente deposto pelo golpe militar de 1964. O pedido se estende a Maria Tereza que também foi impedida de entrar no Brasil até a morte de João Goulart.Pelo cargo que ocupava, João Goulart foi o primeiro brasileiro que teve os direitos políticos cassados depois do golpe militar e no dia 30 de março de 1964 teve que fugir para o Uruguai. Quando morreu, em 1976, a anistia ainda não tinha sido decretada. Os filhos e a viúva vão inaugurar em Brasília em dezembro um instituto para organizar todos os documentos históricos sobre o mandato de Jango que durou pouco mais de um ano.

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