Filho de Cassol é transferido para Vitória

Juiz decretou prisão de Ivo Junior pois encontrou indícios de ?obtenção de vantagens financeiras? no esquema

Marcelo Auler, VITÓRIA, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2008 | 00h00

O envolvimento do filho do governador de Rondônia, Ivo Cassol (PPS), com o grupo do empresário capixaba Adriano Mariano Scopel - preso na segunda-feira pela Polícia Federal, na Operação Titanic - foi ressaltado pelo juiz-substituto da 1ª Vara Federal Criminal, Pablo Coelho Charles Gomes, no momento em que decidiu decretar a prisão temporária de Ivo Junior Cassol e de seu primo Alessandro Cassol Zabott.Os dois chegaram ontem a Vitória, em avião da Polícia Federal, junto com Rogério Moreira - filho de Mário Moreira, conselheiro do Tribunal de Contas do Espírito Santo, e empregado da TAG Importação e Exportação de Veículos em Porto Velho. A TAG, empresa de Adriano e de seu pai, Pedro Scopel, é pivô de um esquema de fraudes, segundo a Polícia Federal. Foram expedidos 23 mandados de prisão - 21 já foram cumpridos.O juiz Gomes decidiu pela prisão dos parentes do governador por encontrar "indícios do envolvimento de Ivo Junior e Alessandro com o grupo de Adriano e da obtenção de vantagens financeiras que este viabilizou em favor daqueles". Destacou, ainda, "o fato de que a interferência de Ivo Junior em favor de Adriano (que obteve reunião com o governador) resultou na liberação das importações da TAG que estavam paralisadas". Por fim, o juiz concluiu: "É possível que Ivo Junior e Alessandro tenham se associado ao grupo de Adriano, que tem praticado diversos delitos, configurando provavelmente quadrilha."De acordo com o governador, seu filho teria sido procurado por Scopel para levar adiante a construção de uma fábrica de veículos no Estado. No seu despacho, porém, o juiz indica que a negociação foi em torno da volta dos benefícios fiscais para a TAG, que haviam sido suspensos em outubro de 2007.GRAMPOSScopel teria aberto duas frentes de lobby junto ao governo de Rondônia. A primeira foi com o suplente do Senado Mário Calixto Filho, a quem pagou R$ 197 mil em dinheiro e remessas bancárias, segundo a PF. Parte do dinheiro, conforme levantou a investigação, por meio de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, se destinaria ao secretário da Fazenda, José Genaro de Andrade. Mas o dinheiro acabou ficando com Calixto, que ontem também foi levado preso a Vitória, mas em vôo comercial.Ao saber que o secretário não tinha recebido nada, Scopel, em outra conversa telefônica, também transcrita pelo juiz em sua decisão, desabafou dizendo que o pessoal de Rondônia estava fazendo "arruaça": "Ah, meu dinheiro lá que não pagou lá o secretário, o secretário não tá desonerando o ICMS. (...) Vou lá resolver, né. (...) Vou lá levar dinheiro, bicho, pros vagabundos dos políticos lá."No dia 22 de janeiro, segundo noticiou ontem o Estado, Scopel tomou café da manhã com Cassol no Hotel Sheraton, na Barra da Tijuca, acompanhado de Ivo Junior. Pouco depois desse encontro, por volta das 14 horas, o dono da TAG ligou para seu empregado em Porto Velho e recomendou: "Esquece o Aníbal, entendeu? Tava em reunião até agora aqui com o pessoal aqui no Rio. Tá tudo certo já", afirmou.A família de Scopel informou ontem que ainda não foram constituídos advogados para acompanhar o caso.

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