Filho de Campos já é apontado como herdeiro político

Jovem de 20 anos, que é filiado ao PSB e cogitou se candidatar a deputado estadual nesta eleição, disse que entrará para a política

DAIENE CARDOSO E JOÃO DOMINGOS, ENVIADOS ESPECIAIS, Estadão Conteúdo

14 de agosto de 2014 | 20h21

João Campos, 20 anos, é o nome mais apontado entre pessoas próximas a Eduardo Campos para ser o herdeiro político do ex-governador de Pernambuco, morto nesta quarta-feira, 13, em um acidente aéreo. O jovem é filiado ao PSB e cogitou se lançar candidato a deputado estadual neste ano. Mas o próprio pai lhe disse que o havia aconselhado a primeiro terminar os estudos para depois decidir se seguia ou não a carreira política.

Por intermédio do primo Joaquim Pinheiro, João disse nesta quinta-feira que entrará para a política. Segundo ele, para terminar os ideais do pai. De acordo com o primo, o rapaz disse que "não perdeu apenas um pai, mas um líder." João tem quatro irmãos mais novos: Pedro, José, Maria Eduarda e o caçula Miguel, de seis meses.

Campos chegou a deixar outros possíveis herdeiros políticos em Pernambuco, mas nenhum com a força próxima da que tinha. A maior influência sobre ele era exercida pela mulher, a auditora do Tribunal de Contas do Estado Renata de Andrade Lima Campos, de 47 anos. Ela contribuía nas ações de governo, alianças políticas e escolha de jingles. Também filiada ao PSB, sua candidatura a deputada federal chegou a ser especulada, mas a gravidez e o subsequente nascimento do filho interrompeu essa negociação.

Fora da família, há algumas apostas. Neto do ex-governador Miguel Arraes, de quem foi secretário particular, Eduardo Campos assumiu a presidência do PSB em 2005. No ano seguinte foi eleito governador. Transformou-se, então, num político influente no comando partidário e muito bem avaliado como governador.

Nessa condição, passou a ter força absoluta na política de Pernambuco e também à frente do PSB. Tanto é que ao patrocinar candidaturas, deu preferência a pessoas que não tinham nenhuma tradição política na disputa de cargos como o de prefeito do Recife. Em 2012, ele bancou a candidatura de Geraldo Júlio, seu secretário de desenvolvimento econômico e presidente do Porto de Suape, para disputar a prefeitura, vencendo o pleito. Nessa eleição, Campos rompeu a aliança que manteve com o PT por anos seguidos em Pernambuco.

Para a disputa ao governo de Pernambuco, em 2014, Campos deixou de lado o governador João Lyra Neto, que havia sido seu vice, e passou a apoiar Paulo Câmara, seu ex-secretário da Fazenda. Descontente por não ter recebido o apoio do antigo aliado, o senador Armando Monteiro (PTB) rebelou-se contra Campos e formou uma chapa com o PT para disputar o governo contra Paulo Câmara. De acordo com as últimas pesquisas de intenção de votos, Monteiro venceria a eleição no primeiro turno, se ela ocorresse hoje.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.