Filho de Brizola diz à Veja que foi pressionado a arrecadar para o PT

A revista Veja traz, na edição que começa a circular hoje reportagem de capa, na qual José Vicente Brizola, filho do ex-governador do Rio Leonel Brizola e ex-diretor-geral da Loteria do Rio Grande do Sul no governo Olívio Dutra, afirma que teria sofrido pressão para arrecadar recursos financeiros destinados à chapa majoritária do partido em 2002. José Vicente é filiado ao PT, mas disse à revista que está se desligando do partido. A reportagem abre com a trancrição de um e-mail que teria sido despachado por Vicente para Waldomiro Diniz, pivô do escândalo do suposto uso de recursos do jogo para financiamento de campanhas petistas denunciado por Época.O e-mail de Vicente para Waldomiro diz o seguinte, segundo a reportagem da Veja: "Lamentavelmente percebi que foste detonado como tantos outros. Claro está que o ´Cardeal´ Dirceu, quando o escândalo bate em sua porta, detona seus amigos, seus inimigos. Transfigura a reforma ministerial de tal modo que a responsabilidade de atos protagonizados por ele recaiam em Aldo Rebelo, que nada sabia do assunto. Pois eu sei. Assim como foste compelido a achacar dinheiro de concessionários públicos em benefício do PT, eu também o fui. Eu diretor da Lotergs, tu presidente da Loterj. Desde já estou à sua inteira disposição para testemunhar a seu favor, seja em juízo ou em quaisquer instâncias que solicitar".A seguir, leia trechos da entrevista de José Vicente Brizola à Veja:VEJA ? Por que o senhor ajudou a levantar recursos para a campanha do PT no Rio Grande do Sul, de senador e governador, fazendo a ponte com empresários ligados ao jogo de azar?José Vicente ? Porque eu sofri pressões nesse sentido.Veja ? Quem o pressionou?José Vicente ? Em meados de 2002, em junho ou julho, fui procurado pelo filho da então candidata ao Senado do PT Emília Fernandes, o Carlos Fernandes, conhecido como Carlinhos. Ele me perguntou se eu tinha possibilidade de arrumar algum recurso para a campanha da senadora. Eu disse que não, que morava em Porto Alegre havia pouco tempo, não conhecia empresários. Ele então foi mais incisivo. Disse que existiam vários empresários que eram ou gostariam de ser concessionários na área de jogos. Para não ser deselegante, fui levando o assunto, até que ele disse que havia uma determinação do comitê de campanha para governador e senador para que isso fosse feito.VEJA ? Onde se deu essa conversa?José Vicente ? No escritório da campanha de Emília Fernandes, na Rua Riachuelo. Eu questionei. Disse que gostaria de ouvir isso da própria senadora. Num encontro seguinte, ela compareceu, com Carlinhos e Claudio Milan, que era o caixa da campanha. Ela não falou muito, mas disse que os credenciava para continuar com esse pleito. Eu continuei conversando com eles. A pressão ficou mais violenta e eu disse que não pediria contribuição a ninguém. Eles recuaram. Combinaram que eu fizesse as apresentações e eles passariam a cuidar disso. E disseram: "Nós sabemos quem são os empresários que você deve procurar, são esses e esses".VEJA ? O que era dito nas conversas?José Vicente ? Eles diziam que precisavam de 900 000 reais para a campanha da senadora. Isso era misturado com a campanha majoritária, porque os candidatos a governador, a vice e a senador andam sempre juntos. A agenda da majoritária é uma só, administrada pelo coordenador de campanha.VEJA ? O que o motiva a dar esta entrevista?José Vicente ? Em primeiro lugar, quero frisar que jamais peguei em dinheiro. Se tivesse passado dinheiro pela minha mão, jamais daria uma entrevista. O motivo de estar falando isso agora é que percebi que esse partido que eu supunha imaculado era igual ou pior que o anterior, o PDT. E mais: no PDT, nunca presenciei banditismo, como é o que aconteceu com o Celso Daniel. Não está e nunca esteve nos meus planos compactuar com esse tipo de coisa. Como é o caso também de um telefonema que eu recebi na segunda-feira à tarde, ameaçando a mim e a minha família. Um dos motivos pelos quais estou dando esta entrevista é porque temo pela minha segurança e pela da minha família.

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