Filho adotivo de Chico Xavier será acusado de estelionato e fraude

Estelionato, fraude, vantagem indevida e desvio de dinheiro destinado à obras assistências são alguns dos itens citados pela Promotoria de Justiça de Uberaba (MG) no pedido de condenação de Eurípedes Humberto Higino dos Reis, filho adotivo do médium espiritualista Chico Xavier e sua ex-mulher, Christine Gertrud Wilhelmine Schulz.Os dois teriam aproveitado o debilitado estado de saúde do médium para fazê-lo assinar um contrato onde cedia gratuitamente a eles todos os direitos autorais das obras psicografadas pelo médium.Pelo documento, segundo o promotor de Justiça da 6ª Vara Criminal, José Carlos Fernandes Júnior, Eurípedes e Christine teriam "desviado fraudulentamente para o patrimônio particular de ambos" toda a remuneração de direitos autorais, obtida com a edição e futura comercialização das mensagens psicografadas por Chico Xavier a partir de 29/11/97."Eles se aproveitaram da confiança que o Chico depositava neles" relatou Fernandes. O contrato foi assinado em Uberaba, mas registrado no 2º Cartório de Registro de Títulos e Documentos do Rio de Janeiro, sob o nº 585203.As fraudes eram feitas através da empresa Indie Recordes Ltda, que recebeu dos dois, em caráter definitivo, para exploração comercial e promocional, as psicografias do médium. Consta da denúncia que a empresa repassava diretamente a Eurípedes e Christine todo o pagamento.Conforme documentos da promotoria, os dois também tinham em mãos uma procuração particular assinada por Chico Xavier em 24 de outubro de 2000 dando a eles poderes amplos e gerais."Ludibriado pelos denunciados, em quem confiava, sem saber das reais intenções dos mesmos e acreditando tratar-se de mais um documento no qual estaria transferindo direitos autorais de mensagens por ele psicografadas para obras assistencias, Chico Xavier acabou assinando o contrato e a procuração", consta do documento.O promotor garante que Chico Xavier "não sabia" a que se referia o contrato. Revelou que no dia 13 de junho de 2001 foi realizada uma inspeção na residência do médium, e Chico "não foi capaz de identificá-lo, deixando muito claro, em sua dificultosa manifestação de vontade, que sempre doou os direitos autorais de suas obras para ações assistenciais ou para a Federação Espírita Brasileira".A promotoria garante que Christine "era a mentora de tudo e que Eurípedes tinha conhecimento de todos os atos ilícitos, sem relutar e aderindo espontaneamente ao crime".Além do contrato e da procuração, a Justiça investiga possíveis desvios fraudulentos de doações feitas à Associação Casa da Paz, que ainda não foram concluídas devido à demora no repasse de informações bancárias requisitadas junto às instituições financeiras.Eurípedes e Crhristine não foram encontrados para falar sobre o assunto. O advogado de Eurípedes, José Francisco, comentou apenas: "Ainda não fomos notificados da decisão e somente iremos nos manifestar após o conhecimento do documento."

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