ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO
ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

Filha de Roberto Jefferson articula para assumir Cultura, mas Temer dispensa

Presidente teria dito a Cristiane Brasil que já teria convidado outra pessoa para o cargo, que está vago desde 18 de maio, e pediu que ela e seu pai não ficassem 'com raiva'

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2017 | 20h23

BRASÍLIA - Única integrante da bancada do Rio a votar contra a aceitação da denúncia do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a deputada Cristiane Brasil (PTB) se articulou nos bastidores para ser nomeada ministra da Cultura. Mas, pouco depois de toram públicas as intenções de Cristiane, o pai da parlamentar e também presidente do PTB, Roberto Jefferson, comunciou que Temer disse já ter assumido compromisso com a indicação de outra pessoa para o cargo.

"O presidente disse que a Cristiane tem sido uma guerreira, mas que já tinha convidado outra pessoa. Pediu que a gente não ficasse com raiva. Disse que, da minha parte, não havia problema", afirmou Jefferson ao Estado/Broadcast, ao sair do Palácio do Planalto. Delator do escândalo do mensalão do PT, o ex-deputado se reuniu com Temer junto com a filha, a convite do presidente.

O cargo está vago desde 18 de maio, quando o deputado Roberto Freire (PPS) deixou o posto, logo após ser divulgada a delação de executivos da JBS incriminando Temer. De acordo com relatos de parlamentares próximos de Cristiane e de interlocutores do governo no Congresso, a deputada fluminense deixou claro para o Palácio do Planalto seu interesse em ser indicada para comandar a pasta.

Na articulação, ela também procurou o apoio de pessoas influentes da área da Cultura. Procurada por telefone, a deputada não atendeu as ligações do Estado/Broadcast.

O ex-deputado negou que o movimento para emplacar Cristiane na Pasta tenha partido do PTB. Segundo ele, são "alguns artistas" que defendem o nome dela, sem citar nomes. Ele também negou que o partido esteja negociando o cargo em troca de apoio a Temer.

Votação no plenário. Enquete do Estado mostra que, dos 17 deputados da sigla, apenas dois são favoráveis a aceitação da denúncia contra o presidente; sete, contra; e 10 estão indecisos ou não quiseram responder. Interlocutores do governo no Congresso, no entanto, veem com ceticismo a nomeação de Cristianepara a Cultura agora. Lembram que ela não tem ligação com o setor, o que pode gerar protestos contra Temer no momento em que a denúncia contra ele está prestes a ser votada no plenário da Câmara.

Se acontecer, dizem essas fontes, a nomeação só se concretizará após a votação da denúncia, marcada para 2 de agosto, quando o presidente pretende fazer uma reforma ministerial. O comando do Ministério da Cultura também é cobiçado por peemedebistas. O deputado André Amaral (PB) pediu ao líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), que intercedesse a favor dele. O parlamentar paraibano, contudo, enfrenta resistências. Com 26 anos, está em seu primeiro mandato como deputado, assim com Cristiane Brasil. Ele só assumiu o cargo efetivamente em janeiro, após Manoel Júnior (PMDB) renunciar ao mandato para assumir como vice-prefeito de João Pessoa (PB). 

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