Filha de Prestes e Olga Benário será indenizada pelo governo

Anita Leocádia, filha do revolucionário Luiz Carlos Prestes com a judia comunista Olga Benário, entregue pelo governo Getúlio Vargas aos nazistas alemães e morta num campo de concentração em 1940, será indenizada pelo governo federal com base na lei da anistia. Professora universitária, hoje com 67 anos, Anita receberá indenização única de R$ 100 mil e terá reconhecido o período em que foi impedida de trabalhar, a partir de 1970, quando foi obrigada a se exilar na extinta União Soviética, para fugir às perseguições políticas do regime militar brasileiro. O anúncio foi feito pelo presidente da Comissão de Anistia, Marcelo Lavenère Machado, na sessão especial realizada hoje para comemorar os 25 anos da lei da anistia, editada em agosto de 1979. Desde que a reparação às vítimas de perseguição política foi aprovada, o governo já indenizou a mais de 20 mil pessoas e outros 30 mil pedidos estão em análise. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, definiu o pagamento como uma justa reparação às pessoas que sofreram por defenderem seus ideais e por enfrentarem o estado totalitário instalado no País em 1964. A saga de Anita está retratada no filme Olga, adaptado do livro de mesmo nome, do escritor Fernando de Moraes, que entrou em cartaz esta semana em todo o País. Ela nasceu em 27 de novembro de 1936, na prisão feminina alemã de Barnimstrasse, para onde Olga foi inicialmente levada. Anita foi afastada da mãe e entregue à avó paterna, Leocádia Prestes, ao final da fase de amamentação. Trazida ao Brasil anos mais tarde, Anita formou-se em química industrial, em 1964, pela antiga Universidade do Brasil, hoje UFRJ. Em 1966, obteve o título de Mestre em química orgânica. No início da década de 70, ela exilou-se em Moscou. Em 1973, julgada à revelia, foi condenada a quatro anos e seis meses de prisão pela Justiça Militar. A indenização de Anita foi aprovada por unanimidade pela terceira câmara da comissão. Thomaz Bastos comparou a lei da anistia a uma "caixa de lenços de papel", por ter, conforme destacou, desencadeado processos democráticos no Brasil. "Primeiro, as Diretas Já. Depois, a Constituinte, as eleições para presidente da República e a eleição do presidente Lula". Lavenère comentou que, a cada julgamento, os conselheiros lidam com histórias de vida e sofrimentos imensuráveis.

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