Filha de Luiz Fux disputa vaga de desembargadora no Rio

Marianna Fux está na lista dos candidatos que serão escolhidos pela OAB e pelo Tribunal de Justiça que será encaminhada para o governador Luiz Fernando Pezão definir

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

25 de fevereiro de 2016 | 17h37

Brasília - A advogada Marianna Fux, de 34 anos, está entre os seis candidatos que disputarão uma vaga de desembargador no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Ela é filha do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux. A lista sêxtupla foi votada nesta quinta,25, pelos conselheiros da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) e será encaminhada ao TJ. O tribunal reduzirá a lista para três candidatos e a escolha final caberá ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

A candidatura de Marianna, que trabalha com o advogado Sérgio Bermudes, provocou constrangimento entre alguns conselheiros do OAB, pelo fato de ela ser filha de um dos onze ministros da mais alta corte do País. Em abril de 2014, quando Marianna cogitava se lançar candidata, Bermudes, amigo de Fux, chegou a organizar uma festa pelo aniversário de 60 anos do ministro, para a qual foram convidados os 180 desembargadores do Estado. A festa acabou cancelada. Desembargadores e conselheiros da OAB encararam a festa como o inicio da campanha de Fux em favor da filha. Bermudes negou que a festa tivesse esse propósito e disse que é amigo de Fux há mais de 40 anos.

"Mostrei que eu era capaz de concorrer', disse Marianna ontem, antes de deixar a sede da OAB. Pouco antes, a advogada afirmou que se considerava vítima de "perseguição política" nos quase dois anos de duração do processo de escolha dos indicados da O/AB. Marianna avisou ao pai por telefone logo que teve o nome confirmado na lista sêxtupla.

Para entrar na lista, era necessário ter pelo menos metade mais um dos votos dos 80 conselheiros. Marianna teve 50 votos e foi a segunda colocada. No primeiro escrutínio, também froram escolhidos Kátia Junqueira, com 57 votos, Mauro Abdon, com 47, e Fábio de Oliveira Azevedo, com 41. Novos escrutínios foram realizados para a escolha dos dois candidatos que completaram a lista. Os vencedores foram Nilton Cesar Flores e Genilton Garcia Castilho. 

Antes da votação, os conselheiros rejeitaram o pedido de impugnação da candidatura de Marianna, feita em setembro de 2014 pelo conselheiro Alfredo Quintão. Ele argumentou que a advogada não apresentou todos os documentos exigidos para a candidatura. A impugnação foi rejeitada por 54 votos. Vinte e cinco conselheiros votaram pela exclusão de Marianna. O processo de escolha dos candidatos a desembargador começou em maio de 2014. 

Marianna disputará a vaga no chamado quinto constitucional, que garante a advogados e integrantes do Ministério Público um quinto das vagas de desembargador. Os seis finalistas foram escolhidos entre 23 candidatos presentes na votação desta quarta. 

Fux foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff em fevereiro de 2011, com apoio do então governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), aliado da presidente. O ministro é relator do pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) ao STF para que o secretário de Coordenação de Governo do município do Rio, Pedro Paulo, pré-candidato a prefeito, seja processado por lesão corporal, por agressões à ex-mulher. Por ser deputado licenciado, Pedro Paulo tem direito a foro privilegiado. Nesta quinta, 25, o ministro autorizou a abertura de inquérito para investigar o caso.

A ex-mulher do secretário, Alexandra Marcondes, registrou queixa na polícia, em fevereiro de 2010, e disse ter sido agredida por Pedro Paulo durante uma briga do casal, depois de ela descobrir que tinha sido traída. Em agosto do mesmo ano, Alexandra fez outro registro e disse que Pedro Paulo a perseguia e havia ameaçado "sumir" com a filha do casal. A primeira queixa de agressão foi feita em São Paulo, em dezembro de 2008.

No mês passado, Alexandra apresentou nova versão ao Ministério Público, incluída na defesa de Pedro Paulo. Disse que "partiu para cima" do marido quando descobriu a traição e que houve agressões mútuas. Apesar do desgaste de Pedro Paulo com o episódio, o PMDB-RJ garantiu a candidatura do secretário à sucessão do prefeito Eduardo Paes. 

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