FHC vai ao Chile para tentar ampliar negócios

O presidente Fernando Henrique Cardoso desembarca nesta segunda-feira à tarde no Chile para uma visita oficial de três dias, de caráter essencialmente político, mas que pode ser encerrada com um salto nas relações comerciais entre os dois países.Há dois anos, o governo brasileiro tenta levar adiantenegociações de um acordo de redução de tarifas de importação para produtos dos setores agrícola, automotivo e químico. Hoje, os negociadores brasileiros mostravam-se otimistas com o avanço das conversas. "Pode ser que o acordo saia durante a visita do presidente. Há grandes chances", afirmou o embaixador Carlos Alberto Simas Magalhães, assessor especial da subsecretaria-geral de Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior do Itamaraty, pouco antes de iniciar uma rodada de discussões com os negociadores chilenos.TrocasEm princípio, o acordo tenderá a estimular o comércio bilateral em áreas nas quais ambos os países se mostramcompetitivos.Para o Brasil, o interesse está concentrado na reduçãode tarifas de importação para veículos e autopeças e de carnes suína e de aves. O Chile tem preocupação similar com o pêssego em calda e os vinhos.No ano passado, as trocas de bens entre os dois vizinhossul-americanos alcançou US$ 2,214 bilhões - cifra que seriacertamente elevada pelo acordo. A iniciativa, entretanto, também será um passo para a retomada das negociações do Mercosul com o Chile sobre a ampliação do acordo de livre comércio com esse país, de 1996.A assinatura desse acordo comercial tenderia a conferirum caráter mais prático à visita de Estado do presidente aoChile - país onde viveu e lecionou no final da década de 60 como exilado político. Embora esse tipo de viagem não favoreça a discussão de temas específicos, FHC deverá mais uma vez tratar com o presidente chileno, Ricardo Lagos, da crise da Argentina e das dificuldades de o país vizinho conseguir o socorro do Fundo Monetário Internacional. A primeira conversa entre ambos deverá ocorrer às 18h10, no Palácio de La Moneda, a sede do governo chileno.SerraNos próximos dois dias, Fernando Henrique aindadeverá reviver os tempos em que era professor da Universidade do Chile e da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso). Na terça-feira(19), ele dará aula magna na primeira e inaugurará o novo prédio da segunda. FHC visitará ainda Valparaíso, sede do Congresso, e Arica.Hoje, porém, os jornais chilenos reservaram espaçoapenas para outro exilado brasileiro da época da ditaduramilitar, o candidato tucano à sucessão de FHC, José Serra. Ojornal "La Tercera", um dos principais do país, destacava oavanço de Serra nas pesquisas de opinião.

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