FHC vai a café da manhã com parlamentares católicos

O presidente Fernando Henrique Cardoso surpreendeu um grupo de parlamentares da bancada católica, ao comparecer ao café da manhã no Palácio do Jaburu, oferecido todos os meses pelo vice-presidente Marco Maciel. Fernando Henrique chegou no fim da missa, mas conversou com os parlamentares. Entre os temas, a provável renúncia do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), os ataques ao presidente do Congresso, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), e o cenário mundial pós-atentados terroristas nos Estados Unidos.A conversa sobre Jader foi reservada, durante os poucos minutos em que FHC esteve a sós com o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Eu disse ao presidente: a partir de hoje, estamos caminhando para uma solução final; o Jader decidirá se renuncia ou não", comentou Simon. O senador não quis revelar quais foram os comentários de Fernando Henrique.Já os ataques sofridos por Tebet foram feitos numa roda maior. Segundo o deputado José Linhares (PPB-CE), quando os parlamentares manifestaram estar chocados com o comportamento de alguns colegas na primeira sessão presidia por Tebet e a repercussão negativa para o Parlamento, Fernando Henrique comentou: "Esses são fatos lamentáveis, e não deveriam acontecer dentro de um cenário de um Congresso Nacional."Além de parlamentares de diferentes partidos que integram a Frente Pastoral Católica, o encontro teve a presença de padres e a missa foi celebrada pelo bispo auxiliar de Belo Horizonte, Décio Zandonadi. O padre José Damasceno, prefeito de Buritis (MG), onde está a fazenda de familiares do presidente, também compareceu.Fernando Henrique apresentou-o a Simon como "seu vigário". O senador não conteve o comentário: "Se o sr. salvar a alma do presidente, vai para o céu", brincou Simon. "Ele (FHC) já está mais próximo do céu do que eu", retrucou o padre-prefeito. O presidente lembrou que estudou em colégios de padres dominicanos, ao posar para fotos com parlamentares e integrantes de um coro de franciscanos.No sermão, o bispo mineiro enfocou a necessidade de solidariedade entre os povos, neste momento em que o mundo vive a perspectiva de uma guerra de revanche dos EUA. No fim da missa, ao perceber a presença de Fernando Henrique, deputados indagaram sobre a conduta do Brasil diante dos acontecimentos. "O presidente disse que o Brasil está bastante distante da ação física desta guerra, e não tem motivos para enviar tropas", contou Linhares. Fernando Henrique comentou que o aparato militar dos EUA serve para impressionar, mas um ataque ao Afeganistão é muito difícil, em razão das condições topográficas do País.O presidente lembrou da dificuldades dos russos no Afeganistão. Na mesa à qual sentou para tomar o café, Fernando Henrique também falou sobre o cenário internacional. De acordo com o deputado Osmar Serralho (PMDB-PR), Fernando Henrique contou que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, estava "muito cordato e menos beligerante" no telefonema que os dois trocaram."O presidente lembrou que o Brasil é um exemplo de convivência pacífica entre povos diferentes, e que isso acontece também no Canadá." O deputado Luís Carlos Hauly (PSDB-PR) pediu ao presidente apoio para a moção de autoria dele e do deputado Hélio Costa (PMDB-MG) para que o Brasil lidere o processo de criação do Estado Palestino. A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) falou sobre as divergências jurídicas em torno dos investimentos previstos na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Saúde, e pediu mais verbas para a área.

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