FHC tenta resgatar passado de luta operária

Ao sancionar hoje a lei que garantirá o pagamento de R$ 40 bilhões aos trabalhadores pelas perdas provocadas no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FTGS), o presidente Fernando Henrique Cardoso relembrou seu passado de luta em favor da classe operária. "Ter sancionado esta lei reconforta-me, não porque me faça encontrar com o meu passado, porque nunca me distanciei dele, mas porque mostra ao País que não me distanciei dele", disse o presidente, que afirmou que quem combate, verdadeiramente, a corrupção no Brasil, é o governo dele.Segundo Fernando Henrique, a conta do rombo provocado por planos econômicos de governo passados será paga "com muita satisfação" pelo governo dele porque há um compromisso com o trabalhador. "Nas greves famosas de São Bernardo (do Campo, no Grande ABC), que o ´Alemão´ lá estava, o Lula estava, eu também estava", destacou, referindo-se aos presidentes da Social Democracia Sindical (SDS), Enilson Simões, e de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. "Se a história de São Bernardo for feita sem espírito stalinista, ou seja, sem tirar da fotografia os que hoje são contra certos setores, nós dois vamos aparecer lá", ironizou.Fernando Henrique tentou justificar o desconto no benefício para trabalhadores com direito a receber mais de R$ 2 mil, criticado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelos partidos de oposição. Ele afirmou que era preciso dividir a responsabilidade por erros do passado porque o débito era gigantesco e que, sem inflação, não é possível o governo "fingir" que produz dinheiro. Os trabalhadores das três centrais que concordaram com o desconto presentes na solenidade aplaudiram o presidente.Depois de ouvir a crítica feita pelo presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, de que a sanção merecia comemoração porque "não é sempre que Brasília dá dinheiro para pobre", Fernando Henrique rebateu: "Brasília, às vezes, é dura para dar o dinheiro porque o dinheiro não é de Brasília, é do povo." De acordo com o presidente, para poder atender aos pedidos da população, o governo precisa ser cauteloso, "dizer o sim baseado no equilíbrio das contas públicas para não prejudicar a população".

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