FHC tenta atrair parlamentares para o PSDB

Neste período de mudança nos partidos, o presidente Fernando Henrique Cardoso envolveu-se pessoalmente na operação para atrair parlamentares para o PSDB e reverter a tendência de diminuição da bancada no Senado e na Câmara. Depois da frustrada tentativa de ver o senador Paulo Souto (PFL-BA) e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), no PSDB, Fernando Henrique abriu uma nova negociação: na última quinta-feira esteve com o senador Gerson Camata (PMDB-ES), de saída do PMDB, para convencê-lo a aceitar o convite do comando da legenda para que entre no PSDB.Dia 6 de outubro é o limite para a troca de siglas para quem quer disputar a eleição de 2002. Para Fernando Henrique, a filiação de Camata ao PSDB será uma forma para fortalecer a bancada no Senado, que perdeu, há menos de um mês, os irmãos paranaenses Álvaro e Osmar Dias para o PDT. Na quarta-feira, o partido terá menos um senador na Casa: o ex-líder do PSDB Sérgio Machado, que assinará sua ficha de filiação ao PMDB em evento organizado pela cúpula peemedebista no Senado para o qual foram convidados ministros e governadores do partido.HonraTambém assediado pelo PPS e o PFL, Camata deve comunicar sua decisão ao presidente até terça-feira, a quatro dias do final do prazo para o político que quer disputar a eleição de 2002 mudar de sigla. "O presidente disse que ficaria muito honrado se eu entrasse para o PSDB", disse Camata, que já havia sido convidado pelo prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), presidente da comissão provisória do partido no Espírito Santo. Vellozo preparou o terreno para garantir o ingresso de Camata no PSDB oferecendo total apoio para reelegê-lo senador em 2002.Às véspera do final do prazo fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os políticos deixam claro que não estão preocupados em manter os compromissos com suas legendas de origem. Elogiada em discursos de políticos da base governista e da oposição, a proposta que institui a fidelidade partidária está longe de ser aprovada no Congresso.Sem democraciaSérgio Machado, que vai trocar de partido, é autor de uma proposta de emenda constitucional (PEC) que estabelece que perderá automaticamente o mandato o parlamentar que deixar a legenda. "Não vejo nenhuma contradição, porque estou saindo justamente pela falta de força dos partidos e da ausência de democracia interna no PSDB do Ceará", justificou Machado. A PEC de Sérgio Machado está tramitando desde 1999 no Senado.Um outro projeto, apresentado pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), já foi aprovado na Casa, mas está parado na Câmara. O texto diz que quem trocar de legenda terá de permanecer quatro anos para disputar uma eleição. Apesar de a matéria ser menos radical, não há consenso para aprová-la. "Por causa de certos interesses, o projeto dificilmente vai passar na Câmara", reconheceu o líder do PT, Walter Pinheiro (BA).Dois diasBasta uma análise no levantamento feito pela secretaria-geral da Câmara detalhando o troca-troca entre as legendas para se verificar que não há interesse dos parlamentares em estabelecer regras para dificultar essa movimentação. Há deputados que ficam apenas dois dias num partido.Esse é o caso do deputado João Caldas (PL-AL), que já trocou sete vezes de sigla desde o início de seu mandato, em janeiro de 1999. Num exemplo de "infidelidade partidária", expressão usada por lideranças na Câmara, João Caldas, que começou a legislatura no PMN, pulou para o PL em 27 de setembro de 1999, ingressou no PST cinco meses depois, voltou para o PL, mudou de idéia e retornou para o PST menos de um mês após seu ingresso na sigla, ficou dois dias no PL e mudou-se para o PTB. Em seguida, filiou-se ao PL.157Mas João Caldas não é o único. Estão na lista dos recordistas do troca-troca, os deputados federais Luiz Dantas (PST-AL), Marcos de Jesus (PL-PE), Iédio Rosa (PFL-RJ), João Mendes (PFL-RJ), Mattos Nascimento (PST-RJ), Valdeci Paiva (PSL-RJ) e pastor De Velasco (PSL-SP). No levantamento elaborado pela Câmara, 157 deputados mudaram de partido desde 1999. Na relação de troca devem figurar José Militão (PSDB-MG) e Romeu Queiroz (PSDB-MG), que trocarão o PSDB pelo PTB, Flávio Arns (PSDB-PR), que poderá ingressar no PT, e Rita Camata (PMDB-ES), paquerada pelo PT e PPS. No Senado, José Alencar (PMDB-MG), que já anunciou sua saída do PMDB, pode ser o novo senador do PL. Até agora, nove senadores já trocaram de sigla.

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