Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

FHC sugere ‘exame de consciência’ para presidente

Em nota, ex-presidente reage à tese da petista, que diz que escândalo na estatal vem desde gestão tucana, nos anos 1990

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 16h36

Atualizado às 21h58

São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) rebateu nesta sexta-feira, 20, as afirmações da presidente Dilma Rousseff de que, se os escândalos de corrupção na Petrobrás tivessem sido investigados durante a gestão de FHC, alguns dos funcionários corruptos não estariam mais praticando atos ilícitos.

“A Excelentíssima Presidente da República deveria ter mais cuidado. Em vez de tentar encobrir suas responsabilidades, jogando-as sobre mim, que nada tenho a ver com o caso, ela deveria fazer um exame de consciência. Poderia começar reconhecendo que foi no mínimo descuidada ao aprovar a compra da refinaria de Pasadena e aguardar com maior serenidade que se apurem as acusações que pesam sobre o seu governo e de seu antecessor”, afirmou o tucano, em nota divulgada à tarde.

O ex-presidente se referiu à autorização da presidente pela compra de 50% da refinaria, no Texas (EUA), quando era ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, em 2006. 

O negócio é alvo de investigação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU). Dilma afirmou em março do ano passado, em resposta ao Estado, que só aprovou a compra dos primeiros 50% da refinaria porque o relatório apresentado pela diretoria da estatal era “falho”. 

‘Pega ladrão’. Fernando Henrique disse que se sente “forçado” a reagir, uma vez que “a própria presidente entrou na campanha de propaganda defensiva, aceitando a tática infamante da velha anedota do punguista que mete a mão no bolso da vítima, rouba e sai gritando ‘pega ladrão’!”, escreveu o ex-presidente.

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 O tucano lembra ainda as declarações do ex-gerente de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco, que admitiu em delação premiada que desde o governo FHC há corrupção na estatal e revelou que houve uma transferência de US$ 200 milhões de recursos desviados da Petrobrás para o PT. O partido nega.

“(O delator) Disse que a propina recebida antes de 2004 foi obtida em acordo direto entre ele e seu corruptor; somente a partir do governo Lula a corrupção, diz ele, se tornou sistemática”, afirma FHC. “Como alguém sério pode responsabilizar meu governo pela conduta imprópria individual de um funcionário se nenhuma denúncia foi feita na época?”

O ex-presidente rebate ainda as declarações de Dilma de que “quem praticou malfeitos foram funcionários da Petrobrás, que vão ter de pagar por isso”. 

“Trata-se de um processo sistemático que envolve os governos da presidente Dilma (que ademais foi presidente do Conselho de Administração da empresa e ministra de Minas e Energia) e do ex- presidente Lula”, destacou o tucano.

Lula. Para FHC, “foram eles (Dilma e Lula) ou seus representantes na Petrobrás que nomearam os diretores da empresa ora acusados de, em conluio com empreiteiras e, no caso do PT, com o tesoureiro do partido (João Vaccari Neto), de desviar recursos em benefício próprio ou para cofres partidários”.

O ex-presidente tucano destacou ainda que a delação de empreiteiro da Setal, Augusto Mendonça, revelou que “o cartel (de empreiteiras investigadas pela Justiça Federal) só se efetivou a partir do governo Lula”.

Segundo Mendonça, desde meados da década de 1990, em meio a uma crise do setor, as empresas se reuniram por meio da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi) e realizaram grupos de trabalho com a estatal petrolífera “no sentido de discutir e melhorar as condições contratuais, de modo que as empresas poderiam performar (sic) melhor e a Petrobrás obter melhores preços e condições contratuais”. 

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