FHC se irrita com invasão e deve reforçar segurança

A invasão da Fazenda Córrego da Ponte, em Buritis, Minas Gerais, irritou profundamente o presidente Fernando Henrique Cardoso, que estava em Brasília, se recuperando de uma intoxicação alimentar durante viagem ao Chile. Fernando Henrique foi surpreendido com a notícia e considerou um "abuso inaceitável" o fato de os sem-terra terem chegado à sede da fazenda e ocupado a casa que freqüenta com regularidade, junto com a primeira-dama, Ruth Cardoso, seus filhos e netos. O que mais deixou o presidente "perplexo" foram as imagens, exibidas pela televisão, dos integrantes do MST espalhados pela sala da casa, falando ao telefone, e também no quarto do casal, onde as portas dos armários estavam abertas, em uma absurda invasão de privacidade. O presidente manifestou sua irritação nas conversas que manteve hoje, nas reuniões com seus principais assessores, no Palácio da Alvorada. Hoje ele reconhecia estar "aliviado" com o fato de que a fazenda foi desocupada sem nenhum incidente. Uma das grandes preocupações do presidente era de que neste processo de desocupação houvesse incidentes graves, que pudessem prejudicar o seu governo, produzindo fatos políticos com reflexos nas eleições. A surpresa foi tão grande que todos os ministros que teriam de atuar diretamente no fato estavam fora de Brasília e tiveram de retornar à capital, às pressas, convocados por Fernando Henrique. O presidente achou que houve uma ofensa à democracia e esses últimos acontecimentos podem levar, nesta semana, a uma mudança de atitude do governo em relação à segurança da fazenda. Os sem-terra já tentaram invadir a fazenda outras quatro vezes, e em uma delas chegaram a saquear os caminhões com a produção de grãos. Fernando Henrique já havia se irritado anteriormente por ter sido surpreendido pelos sem-terra. Mas agora o presidente está convencido de que eles extrapolaram e isso poderá levá-lo a manter uma guarda permanente na fazenda, o que já conta com a aprovação do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse episódio pode levar o presidente, juntamente com o general Alberto Cardoso, a agir com mais firmeza na prevenção de episódios semelhantes e serem mais rígidos nas questões de segurança.

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