FHC se cala novamente

O presidente Fernando Henrique Cardoso optou mais umavez pelo silêncio e decidiu não fazer qualquer comentário hoje sobre adivulgação pela revista IstoÉ de trechos da conversa do senadorAntônio Carlos Magalhães (PFL-BA) com os procuradores Guilherme Schelb,Eliana Torelly e Luiz Francisco de Souza. "O presidente vai aguardar osacontecimentos paralelos à divulgação desse material para depois depronunciar", comentou uma fonte do governo. O presidente, segundo essa fonte, não pretende alterar ocronograma que definiu semana passada. Ou seja, só se manifestará sobreeventuais modificações no ministério - como o afastamento dos ministrosda Previdência, Waldeck Ornélas, e de Minas e Energia, RodolphoTourinho- após a reunião da Executivo do PFL, marcada para o próximodia 8 de março. "Esta é a posição que se definiu, no momento",acrescentou uma fonte ouvida pela Agência Estado. "O Presidente não quer pautar a sua conduta por meio de denúncias", enfatizou. Fernando Henrique decidiu manter a mesma postura da semanapassada, quando tampouco respondeu às provocações de Antônio CarlosMagalhães que o criticou por não tomar providências em relação às suasdenúncias de corrupção no governo. A estratégia adotada hoje se limitouàs declarações dos líderes dos partidos da base governistas, traduzidanas notas divulgadas pelos PSDB e PFL, e agora à noite na nota do PPB,isolando a figura de Antônio Carlos Magalhães e formando a defesa daposição de Fernando Henrique. No entendimento dessas fontes, as notasdivulgadas pelos partidos formaram um "cordão de isolamento" em tornoda figura institucional do presidente da República.Nesse contexto, foi proposital a não realização do tradicionalbriefing diário do porta-voz Georges Lamazière. No entendimento defontes consultadas pela Agência Estado, qualquer declaração hojepoderia servir às mais diversas interpretações. Assim, a melhor opção,no momento, é aguardar os "acontecimentos paralelos". O Planalto quer aguardar os desdobramentos das reações de hoje dasinstituições atingidas pelas denúncias publicadas na reportagem darevista IstoÉ. O Supremo Tribunal, por exemplo, é definido no governocom uma instituição que tem comportamento clássico: quando um ministroé atingido (na matéria da IstoÉ o senador Antônio Carlos Magalhãesteria feito críticas aos ministros Nelson Jobim e Ellen GracieNorthfleet) a instituição é atingida. Por isso, o pronunciamento hojedo presidente do Supremo, ministro Carlos Velloso. Da mesma forma, é preciso aguardar os desdobramentos da ação dopresidente do Senado, Jader Barbalho, que decidiu investigar umaeventual adulteração do sistema eletrônico de votação, o que teriapermitido a Antônio Carlos ter informações sobre quem votou contra efavor da cassação do senador Luiz Estevão. O PFL como partido, por suavez, também teve a imagem de seus representantes afetada pelasdenúncias atribuídas ao senador Antônio Carlos Magalhães. O partido,então, decidiu desautorizar o senador e iniciar procedimentos que podemresultar na expulsão de Antônio Carlos Magalhães do PFL.Também estão sendo consideradas pelo Palácio do Planalto as reaçõesda deputada Heloisa Helena (PT-AL), do governador de Tocantins,Siqueira Campos, e até mesmo do senador cassado Luiz Estevão, que jáanunciou sua intenção de ingressar com pedidos, inclusive na Justiça,para anulação da sessão que, por votação secreta, cassou seu mandato noano passado.Em meio a toda esta argumentação, no entanto, existem as fontesque alimentam uma única dúvida que coloca o governo em situação deembaraço: a nova tentativa de reabrir as investigações envolvendo oex-secretário geral da Presidência da República Eduardo Jorge, queseria motivada pela reapresentação do requerimento do senador JoséEduardo Dutra, lider do bloco das oposições no Senado, solicitando ainstalação de uma CPI para o caso Eduardo Jorge.

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