FHC sanciona correção do FGTS e culpa contas do passado

O presidente Fernando Henrique Cardoso culpou hoje "as contas do passado e os planos mal feitos" pelos problemas do Brasil, ao sancionar hoje o projeto de lei que determina o pagamento da correção do saldo do FGTS. "Era um montante gigantesco e o governo não tem como fazer mágica", afirmou o presidente referindo-se à correção do saldo do fundo em 68,9%. "Os problemas do Brasil são as contas do passado, demandas sobre planos malfeitos".Ele ressaltou que, ao contrário dos planos anteriores, o real não tem ação na Justiça. "Estou pagando uma conta de R$ 42 bilhões feitas por equívocos formais. Vamos pagar com satisfação, porque temos compromisso com os trabalhadores", afirmou. O presidente elogiou o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, pela capacidade de negociação para que todos os segmentos envolvidos (governo, trabalhadores e empresários) assumissem sua parte na recomposição das perdas do Fundo, decorrentes de planos econômicos anteriores.FHC também elogiou o Judiciário e o Legislativo. "O que nos limita nas nossas decisões é o nosso sentido de responsabilidade", ressaltou Fernando Henrique, ao explicar que qualquer nova despesa resulta no aumento da dívida pública e na emissão de mais moeda. "Por sorte o Brasil começa a entender isso", disse o presidente.Dornelles afirmou esperar que até abril do próximo ano seja possível identificar os trabalhadores que serão beneficiados pela correção do saldo do FGTS. No seu discurso, o ministro explicou que em junho de 2002, 54 milhões de trabalhadores terão direito a receber até R$ 1 mil. Dois milhões e quinhentos mil receberão integralmente a correção entre julho de 2002 e janeiro de 2003 e três milhões e meio de trabalhadores, com direito a correções maiores, receberão os recursos em sete parcelas, a partir de janeiro de 2003.Para o momento, o ministro recomendou calma ao trabalhador. A partir do próximo mês, será formado um grupo para tratar da operação da lei sancionada hoje.

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