FHC relaciona democracia e desenvolvimento no Chile

O presidente Fernando Henrique Cardoso sustentou nesta terça-feira, em discurso no Congresso Nacional chileno, em Valparaíso, que a democracia guarda uma estreita afinidade com a causa do desenvolvimento. No pronunciamento, ele afirmou que os regimes democráticos têm método próprio para definição de políticas públicas, inclusive aquelas que dizem respeito à gestão da economia, e costumam apoiar suas decisões em prévias negociações em espaço público. "Daí a credibilidade de que se revês tem, na democracia, as normas balizadoras da atuação do mercado", afirmou o presidente. "As políticas econômicas deixam de refletir a omnisciência de tecnocratas e passam a representar a depuração de interesses legítimos, um verdadeiro concerto de vontades, entre as quais a do próprio governo, mas também a dos empresários e trabalhadores", afirmou. O presidente apresentou em seguida, como exemplo, a aceitação do Plano Real pela população brasileira. Ainda em seu discurso, Fernando Henrique reiterou que o respeito às liberdades públicas e à democracia tornou-se requisito para participação do Mercosul e ainda orientação para todos os países da América do Sul e da Alca. "Da Terra do Fogo ao Alasca, o desvio democrático é agora penalizado com o ostracismo ", sustentou. "Isso significa o reconhecimento generalizado da importância dos direitos humanos, inclusive como princípío de política externa". Em sua exposição, o presidente lembrou várias vezes que o Continente sofreu sobressaltos e atos autoritários de triste memória e que muito custou aos países. Assim como o Brasil, o Chile viveu um regime militar autoritário.

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