FHC refuta uso político da Lava Jato pela oposição

O ex-presidente Fernando Henrique Cardozo refutou neste sábado, 15, as afirmações feitas momentos antes pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de que a oposição estava explorando politicamente as denúncias de desvios de recursos na Petrobras. "Ninguém está explorando eleitoralmente, que eu saiba. O Brasil está estarrecido com a profundidade do que aconteceu. É muito dinheiro. É muita gente envolvida", disse FHC após participar de evento promovido pela revista Piauí em um colégio no bairro dos Jardins, na capital Paulista.

VALMAR HUPSEL FILHO, Estadão Conteúdo

15 de novembro de 2014 | 17h01

"A oposição sabe que perdeu. Reconheceu. Não há ninguém responsável na oposição que tenha outra opinião. Somos a favor da regra do jogo", disse ele ao comentar a afirmação de Cardozo de que a exploração do caso Petrobras era uma tentativa de terceiro turno das eleições. "Acho que é ruim ficar dizendo isso porque dá a impressão de que é a oposição que quer usar as investigações. É o Brasil que quer esclarecimentos sobre as investigações. Não é a oposição. A oposição quer a verdade e a punição, se for comprovada."

FHC lembrou que, por enquanto, as acusações presentes na Operação Lava Jato envolvem partidos "do governo". "Então, quem está no governo tem de entender: olha, cuidado hein? São do seu partido que estão envolvidos nisso. Não basta ficar na posição de juiz. Tem de ir mais longe."

João Vaccari

O ex-presidente defendeu o afastamento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, citado nas investigações como destinatário de recursos desviados de contratos da estatal. "Não estou dizendo que tenha feito ainda porque não tem provas, mas basta ter uma acusação grave para dizer: você se afasta e prova sua inocência. Enquanto ele está no cargo, dá a impressão de que o governo não está se importando muito com o que está acontecendo", disse. "Tem que cortar o que está errado no seu governo, no seu partido. E por enquanto não estou vendo isso."

FHC disse não crer num envolvimento direto da presidente Dilma Rousseff nos desvios apontados pela Polícia Federal na Petrobras. "O que apareceu até agora a responsabilidade dela é política, não criminal. Espero que não tenha nenhum envolvimento direto dela", disse.

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