FHC reafirma princípios de democracia, tolerância e paz, diz Lafer

O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, disse que, na reunião de hoje com ministros e líderes partidários, o presidente Fernando Henrique fez uma avaliação dos ataques terroristas nos Estados Unidos e da importância de seus desdobramentos nos aspectos interno e internacional. O presidente reafirmou o princípio da diplomacia brasileira, da democracia, da tolerância e da busca da paz. Lafer disse que ele próprio fez o relato das medidas tomadas pelo governo brasileiro, desde as manifestações de luto e solidariedade até as medidas de segurança, reforço da vigilância e de apoio aos brasileiros que estão em Nova York. Lafer comentou ainda as iniciativas no plano internacional, como a decisão da Otan de apoio aos EUA e do Conselho de Segurança da ONU, condenando o ataque e recomendando uma ação necessária, caso se identifiquem os autores ou os Estados que deram respaldo logístico ou apoio financeiro aos terroristas. Segundo Lafer, até agora não há informações precisas sobre a autoria do atentado. O ministro afirmou que o ataque altera o eixo diplomático brasileiro e que os líderes concordaram que este é um problema da nação e não do governo.Vigilância em ItaipuO ministro afirmou que, na reunião, expôs aos parlamentares que o mundo hoje opera por intermédio de redes de comunicação e que, entre estas, estão as de lavagem de dinheiro, do tráfego de drogas e do terrorismo. Segundo ele, o atentado nos EUA foi a ação terrorista de maior envergadura da História. Neste momento, afirmou, o mundo inteiro tenta identificar essa rede. Segundo Lafer, na região do Cone Sul há uma zona de fronteira delicada, localizada na área de Foz do Iguaçu. Ele comentou que a imprensa da Argentina e do Paraguai chamou a atenção hoje para algum potencial de preocupação com o terrorismo em relação a esta área. "É natural que se redobre a vigilância", disse ele, acrescentando que, embora o governo não esteja atemorizado com a possibilidade de uma ação terrorista em Itaipu, está sendo redobrada a vigilância no local, assim como em outros pontos estratégicos de infra-estrutura.Em linha com a ONUO governo norte-americano, disse o ministro, não está isolado na avaliação da gravidade da situação e da importância de se tomar providências para que a ação terrorista ocorrida nos EUA não se repita, ainda que em proporções menores, em outras partes do mundo. Ele afirmou que tanto o Conselho de Segurança da ONU quanto a OEA já se pronunciaram nesse sentido. Lafer afirmou que os Estados Unidos têm "amplíssimo respaldo da Otan". Segundo o ministro, ainda não há nenhuma indicação da existência de um Estado que esteja apoiando esse ato. Mas que se houver, esse Estado estará se colocando à margem da legalidade. E que o Brasil estará alinhado com as posições do Conselho de Segurança da ONU, mas tomando todo o cuidado para que não se cometam injustiças. O ministro leu na entrevista à imprensa os termos da declaração feita anteontem pelo Conselho de Segurança da ONU, interpretando que essa declaração não significa uma carta em branco, mas a disposição do sistema das Nações Unidas para tomar medidas que contemplem o uso da força. Lafer disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso tem alguns tipos de limitações constitucionais, que dependem de aprovação do Congresso. Como, por exemplo, decisões que envolvem ações militares. Mas que em termos de natureza diplomática, cabe ao presidente e ao poder Executivo a condução da política externa. E, portanto, caberá ao presidente avaliar o que deve ser objeto de consulta maior ou menor ao Congresso.Quem participou Da reunião com FHC participaram o vice-presidente Marco Maciel e os ministros das Relações Exteriores, Celso Lafer; da Justiça, José Gregori; da Casa Civil, Pedro Parente, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Fereira. Também participaram o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e o presidente em exercício do Senado, Edison Lobão (PF-MA), além dos líderes do governo na Câmara, Arnaldo Madeira, e no Senado, Romero Jucá (PSDB-RR); dos líderes, no Senado, do PMDB, Renan Calheiros (AL); do PL, Hugo Napoleão (PI); do PSDB Sérgio Machado (CE); do PPS, Paulo Hartung (ES) e do representante da líderança do PT no Senado, Tião Viana (AC). Presentes, ainda os líderes, na Câmara, do PSDB, Jutahy Júnior (BA); do PFL, Inocêncio Olveira (PE); do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA); do PT, Walter Pinheiro (BA); do PPB, Odelmo Leão (MG); do PDT, Miro Teixeira (RJ); do PTB, Roberto Jefferson (RJ); do PL, Waldemar Costa Neto (SP); do PSB, Eduardo Campos (PE), e do PCdoB, Inácio Arruda (CE).

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