FHC quer tolerância zero contra drogas

O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje a política de tolerância zero no combate às drogas. "Aqui tem de haver tolerância zero no que diz respeito à transgressão", afirmou. Segundo ele, o ato realizado hoje no Palácio do Planalto, como abertura da IV Semana Nacional Antidrogas e entrega de diploma de Mérito pela Valorização da Vida a pessoas e entidades que se destacam na causa antidrogas, como a novelista Gloria Perez, tem de servir para reflexão. Ele reiterou a afirmação do chefe do gabinete de Segurança Institucional, General Alberto Cardoso, de que a posição do Brasil não é tão má quanto parece mas fez uma ressalva: "1% da população representa 1,7 milhão de pessoas. É muita gente capaz de criar grandes males". O presidente ressaltou que os grandes problemas que o País enfrenta hoje são a droga e a violência. "Repressão não é só subir o morro. Tem de controlar a expansão das drogas. É um desafio e não é responsabilidade de alguns. ?É de todos e minha também", afirmou. Fernando Henrique ponderou que é preciso melhorar a legislação para a repressão às drogas. "Se o problema é a lei - porque muita gente diz que a polícia prende e o juiz solta - então vamos melhorar a lei, o juiz cumpre a lei. O mais dramático é a sensação de impunidade porque incentiva e cria clima para os grandes delitos", disse ele. Entre os delitos, o presidente incluiu até mesmo a transgressão eleitoral. "Não se pode ser tolerante com nenhum tipo de delito. Quando se é tolerante com pequenos delitos, se é também muito tolerante com os grandes", frisou. ?A liberdade tem de obedecer regras"Para o presidente, "não há estado de direito quando há desobediência à lei". Ele ressaltou que "não se pode confundir liberdade com baderna e falta de responsabilidade, porque é aí que existe o perigo, pois liberdade tem de obedecer regras". Disse que a guerra contra o crime organizado é uma "guerra sem quartel". Para ele, tem de haver ações na prevenção e repressão às drogas. "Não basta que o governo se articule, tem de haver entrosamento. Tem muito a ser feito. O que foi feito é apenas a semente. É preciso muito mais", disse. O presidente disse que esse tipo de ação, como a de combate às drogas, "não vai nunca para a luz dos holofotes", a não ser quando se prende um bandido. Ele lembrou que no início do primeiro governo não existia nenhum tipo de trabalho de combate às drogas. "Estávamos despreparados até para manter um diálogo em nível internacional", afirmou. Ressaltou ainda que pouco a pouco foi preciso convencer o Congresso a tipificar como crime a lavagem de dinheiro. Dados do Brasil não são tão alarmantesO chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso, afirmou que os dados sobre o consumo de drogas no Brasil não podem ser considerados tão alarmantes se comparados a de outros países. Ele citou uma pesquisa com 8.600 entrevistas domiciliares, feita em 1987 nas 107 maiores cidades do País, na qual 6,9% dos entrevistados responderam que consumiram droga ilícita - a maconha, no caso - apenas uma vez na vida, enquanto que em alguns países que divulgam a luta conta a droga, o índice chega a 34,2%. Segundo o general, em relação à cocaína, droga que mais preocupa o governo, o porcentual de pessoas que utilizaram a droga apenas uma vez na vida chega a 2,3%, quanto que em outros países chega de 11,2% a 19,4%. "Isso não é motivo de tranqüilidade", afirmou Cardoso. Segundo ele, a sociedade brasileira está vencendo a luta contra as drogas porque o consumo está se estabilizando em alguns pontos e em outros até diminuindo. Conforme seus dados, o número de dependentes de maconha está na casa de 1% e, de cocaína, é de menos de 1%. "É claro que não se pode negligenciar. Estes dados podem parecer que é pouca gente, mas não é. A droga é um flagelo que se espalha em níveis intermediários, que mata em morros e cortiços. Estamos enfrentando e temos de continuar a enfrentar", alertou o general Cardoso.Descriminalização só daqui a duas ou três geraçõesEm relação ao crime organizado, ele disse que de que ser enfrentado com inteligência e repressão. Lembrou que a política nacional antidroga foi aprovada há três anos e que é preciso diferenciar o usuário e o dependente do traficante. Na sua opinião, o dependente não deve ser visto como criminoso, mas como doente que precisa ser tratado. "Não há porque encarcerá-los porque seria permitir que fizessem uma pós-graduação nas drogas", ressaltou. Ele acredita que daqui a duas ou três gerações a democracia possa permitir a descriminalização da droga.Combate ao crime organizadoO ministro da Justiça, Miguel Reale Junior, disse que a cerimônia de abertura da IV Semana Nacional Antidrogas e entrega de diploma de Mérito pela Valorização da Vida a várias pessoas, "é uma demonstração da força viva da voz da sociedade". Ele lembrou que medidas legais para o combate ao narcotráfico já existem, mas reafirmou que é preciso reforçar o combate ao crime organizado. "É preciso ver quem trafica e quais os grandes beneficiários", disse. Ressaltou ainda que a Anatel já autorizou quatro operadoras de telefonia celular a instalarem bloqueadores de celulares mas, frisou ele, "isso depende de cada Estado".

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