FHC quer acordo na base aliada para a sua sucessão

O presidente Fernando Henrique Cardoso, em conversa com o senador Ney Suassuna (PMDB-PA), pediu que os três principais partidos de sua base - PSDB, PFL e PMDB - formem uma chapa única para a sua sucessão em 2002. "Ele sugeriu que os presidentes dos três grandes partido que o apóiam conversassem e buscassem uma interação. E que, não obrigatoriamente, o PSDB, o PFL ou o PMDB teriam que liderar a chapa. Qualquer um dos três poderia ter a cabeça de chapa", disse Suassuna.Primeiras reaçõesAs primeiras reações de lideranças dos três partidos demonstram que o desejo de Fernando Henrique será de difícil, mas não improvável, cumprimento. Michel Temer, o novo presidente do PMDB, ficou de discutir a proposta com o PSDB e com o PFL, mas impôs uma condição que dificulta o diálogo. "Desde que o PMDB ocupe a cabeça de chapa, por que não fazer a aliança?" disse Temer, em entrevista à ?Globo News?.A resposta do PFLA declaração de Michel Temer provocou a reação do presidente em exercício do Senado, Edison Lobão (PFL-MA): "Não é hora de imposição. Se houver imposição, amanhã o PFL vai impor também o seu nome, e o PSDB, por sua vez, imporá o seu. Na hora da decisão, nós vamos nos entender", disse o senador maranhense.O que diz o PSDBO líder do PSDB na Câmara, deputado baiano Jutahy Magalhães Júnior, considerou normal que cada partido queira liderar a chapa. Mas, a exemplo de Lobão, também acredita num entendimento no futuro. "É óbvio que o PSDB defende que a candidatura seja do PSDB, o PFL do PFL e o PMDB do PMDB. Mas no momento próprio teremos a candidatura única", disse.PMDB divididoO analista político Franklin Martins, em seu comentário para o ?Jornal das Dez?, da Globo News, avaliou que o PMDB saiu da convenção de domingo da mesma forma como entrou. Ou seja, dividido. Uma ala continua se opondo ao governo FHC e a outra quer continuar no governo FHC. "A novidade é que os governistas, que tinham perdido o controle da máquina com o desgaste de Jader Barbalho, deram a volta por cima e retomaram o comando do partido. E retomaram para valer. Já decidiram que, a partir de agora, vão tratar os oposicionistas a pão e água."A questão ItamarO comentário prossegue: "Se Itamar Franco quiser permanecer no partido, que fique e dispute as prévias, marcadas para janeiro. Se não quiser, a porta está aberta e os incomodados que se mudem."Trunfo para negociarPara Martins, o passo seguinte do PMDB governista será o lançamento do nome do governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcellos, para enfrentar Itamar. Se Jarbas vencer, o PMDB teria então um trunfo para negociar com os outros partidos da base aliada. "Esse é o plano, no caso de o governo se fortalecer daqui até janeiro e a candidatura Itamar se desidratar no PMDB."Plano BMas se o cenário for outro, e Jarbas não decolar, aí os governistas podem acionar o Plano B, segundo o comentarista: "Descarregar os votos no senador Pedro Simon (RS) para impedir que Itamar saia vitorioso nas prévias. A avaliação é que, se Simon for candidato, não tem tantas chances de vitória como Itamar, e ainda poderia dividir o eleitorado oposicionista. Em tese, o raciocínio faz sentido. Só falta combinar tudo isso com Simon, com as base do PMDB e com o próprio eleitor."Aviso que vem de MinasDe qualquer forma, em matéria também divulgada no ?Jornal das Dez?, o senador José Alencar, do PMDB mineiro, que rompeu com Itamar e votou em Temer na convenção de domingo, recordou que também estão na disputa para a candidatura peemedebista à sucessão presidencial o governador Jarbas Vasconcellos e o senador Pedro Simon. "O governador Itamar Franco terá que disputar, na convenção, um espaço para ser o candidato do partido", afirmou.

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