FHC quer ação continental contra o terrorismo

O governo brasileiro está lançando ofensiva para garantir uma posição conjunta de países do continente americano no combate ao terrorismo, como reação aos atentados da última terça-feira nos Estados Unidos. O presidente Fernando Henrique Cardoso falou duas vezes com o presidente do Chile, Ricardo Lagos, e também com o presidente Argentina, Fernando de la Rúa, e do Uruguai, Jorge Batlle, que responde pela presidência do Mercosul. A idéia é sustentar esse esforço em tratados que já existem e estão em vigência. No caso do continente americano, há o Tratado Interamericano de Aliança Recíproca (Tiar), assinado em 1947 no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA). A proposta brasileira é lançar mão deste tratado para contribuir com ações efetivas de combate ao terrorismo. "É uma demonstração de que estamos reagindo à altura dos acontecimentos, de que há disposição de cooperação no plano multilateral", disse um interlocutor do presidente Fernando Henrique. "O Brasil está empenhado em contribuir para ações efetivas de combate ao terrorismo". Segundo esse interlocutor, Fernando Henrique tem procurado os demais presidentes do Mercosul porque acha fundamental a troca de idéias, diante da gravidade do momento. "É preciso buscar mecanismos de solidariedade continental", argumentou. "A reação à proposta brasileira até agora foi positiva, especialmente por parte dos Estados Unidos." De acordo com a fonte, não se discute neste momento uma "coalizão global" como aconteceu no caso da Guerra do Golfo, no Oriente Médio em 1991. "Não se sabe, até agora, de quem é a autoria dos atentados", salientou. Até o momento o presidente Fernando Henrique não falou por telefone com o presidente norte-americano George W. Bush. Interlocutores da Casa Branca ligaram para o Palácio do Planalto para avisar que a ligação talvez seja feita neste final de semana. A preocupação em encontrar mecanismos de combate efetivo ao terrorismo não tem apenas como foco ações que ocorrem em países mais visados, como Estados Unidos e os da Europa. Ainda no início da década de 90, a Argentina foi alvo de dois ataques terroristas. O primeiro deles destruiu a Embaixada de Israel e o segundo, a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia). Até agora o governo argentino não conseguiu capturar e condenar os culpados. No caso do Brasil, Argentina e Paraguai, a preocupação maior é a região da chamada tríplice fronteira. Há suspeitas de que esta área seja ponto de encontro e refúgio de terroristas. Na tríplice fronteira também está localizada a hidrelétrica binacional de Itaipu, considerada um provável alvo de terrorismo pelo seu porte. Também é uma região onde há um grande fluxo de pessoas e apontada como local de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

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